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A mostrar mensagens de Outubro, 2020

Feijoada com mão de vaca e pé de porco

Mão de vaca e pé de porco: um prato de tripas, sem tripas Depois de cozerem numa panela de pressão uma mão de vaca e dois pés de porco, cobrindo-se as carnes com água e acrescentando-se uma ou duas areias de sal durantes duas horas e meia, talvez um pouco mais, noutra panela comece por adicionar a uma boa quantidade de azeite, quatro cenouras partidas às rodelas e uma meia dúzia de uns bons dentes de alho esmagados com um toque de uma das partes laterais da faca. Deixe estrugir durante algum tempo – dez minutos, quinze, mais ou menos. Acrescente ao estrugido, ao fim desse tempo, uns pedaços pequenos de carne entremeada previamente salgada há um mês sensivelmente ou até mais. De seguida parta umas rodelas relativamente grossas de bom chouriço com bastante colorau e junte também ao estrugido. Deixe envolver os sabores e vá mexendo para que nada se queime.  É agora a altura certa para, desossadas as carnes de vaca e porco e partidas, colocá-las no refogado e mais uma vez sem distração, de

Dormidos (II)

Dormidos por Jorge Lage Ingredientes: 12 ovos; 1 litro de leite; 2 copos de azeite virgem (20 cl ou 1/2 quartilho); Cerca de 2 Kg de farinha-triga; 200 g de fermento de padeiro; 1 Kg de açúcar; 200 g de manteiga; O sumo e a raspa de 2 laranjas; Aguardente a gosto. Preparação: Amassa-se como o pão, misturando a farinha-triga, o leite, 11 ovos, o azeite, 950 g de açúcar, a manteiga, o fermento de padeiro, o sumo e a raspa das laranjas e aguardente a gosto. A massa dorme toda a noite (daí o nome de dormidos) na masseira ou num alguidar ou tacho. De manhã, parte-se a massa em pequenos pães (do tamanho de bolas pequenas/médias) e tende-se. Antes de ir ao forno, pincelam-se por cima com ovo e põe-se-lhe açúcar, retirados das quantidades acima. Vão a cozer em forno com calor médio (cerca de 20 a 25 minutos). Retira-se quando estiver com aspeto corado. Por ser um delicioso bolo seco, pode comer-se em qualquer ocasião seja com café com leite, chá, café, licor ou vinho licoroso, por exemplo. (Re

Bolo favo de caramelo

Bolo favo de caramelo por Maria da Graça Ingredientes: 150 grs. açúcar + (250gr.para o caramelo) 150 grs. manteiga 150 grs. farinha 3 ovos 1 colher de chá de fermento Royal 150 grs. nozes (ou mais) 1 cálice de Vinho do Porto Confeção: Bate-se a manteiga com o açúcar. Em seguida, juntam-se os ovos, um a um, batendo em cada adição. Depois, vai-se juntando a farinha, o fermento, o vinho do Porto e as nozes em pedacinhos pequenos. Vai ao forno em forma untada. Para decorar: cobre-se com meias nozes e rega-se com 250 grs. de açúcar em caramelo.

Bolo de nozes com marmelada

Bolo de nozes com marmelada por Maria da Graça Ingredientes: 250 gr. de açúcar 6 ovos 150 gr. de marmelada 1 cálice de aguardente ou vinho do Porto 125 gr. de farinha 1 colher de chá de fermento algumas nozes Confeção: Bate-se o açúcar com as gemas. Faz-se uma pasta com a marmelada e as nozes pisadas, juntando-se o cálice de vinho do Porto ou aguardente. Junta-se esta pasta ao açúcar e gemas já muito bem batidos. Depois de tudo muito bem misturado deitam-se 6 claras batidas em castelo. Por último, junta-se a farinha com o fermento. Unta-se a forma e vai ao forno.

Pormenores do dia a dia nas minas do Vale das Gatas

Manuel Mesquita iniciou a vida de mineiro aos dezasseis anos de idade Na companhia do Eduardo Vilela, aquando da visita ao Vale das Gatas, terra mineira da freguesia de S. Lourenço de Ribapinhão, encontrámos mais algumas pessoas que lá trabalharam e onde acabaram por se fixar e adquirir as suas próprias casas de habitação. Uma dessas pessoas foi o antigo mineiro Manuel Mesquita, indo parar à mina aos dezasseis anos de idade, recusando o trabalho na oficina que não era tão bem remunerado. O Manuel relatou-nos pormenores do seu trabalho e dia a dia nas minas do Vale das Gatas, numa vida de toupeira, como referiu o Eduardo.  Dentro dos buracos das minas, agora que o refeitório já não servia as refeições habituais, era consumida por todos os mineiros a refeição do almoço, entre as dez e meia e as onze horas.  “Era comer e andar”, dizia o Manuel Mesquita. Normalmente, as esposas dos mineiros, pelas dez horas da manhã, apareciam à boca da mina com as marmitas dentro de umas cestinhas. Estas

Praça de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Real

Breve reflexo da praça de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Real, ao fim da manhã do dia 28 de outubro de 2020!

Santa Bárbara do Vale das Gatas

Santa Bárbara: da entrada da mina ao pequeno santuário Eduardo Vilela foi trabalhador da Companhia Mineira do Norte de Portugal, concretamente no lugar de exploração mineira do Vale das Gatas, freguesia de S. Lourenço de Ribapinhão. Desempenhou trabalhos como guincheiro, mineiro e motorista de pesados. Segundo o Eduardo, uma imagem de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros, foi mandada colocar à entrada da mina B, naquele lugar de exploração de volfrâmio, pelo então administrador da concessão mineira, o alemão Kurt Dithmer, que teria uma relação muito próxima com os trabalhadores, sendo ele mesmo por diversas vezes quem contratava ou pelo menos apalavrava com alguns adolescentes e jovens que por ali vagueavam. A imagem de Santa Bárbara deu assim origem a que, anualmente, no dia 4 de dezembro, se honrasse a Santa com Celebração Eucarística em frente à mina, seguida evidentemente dos festejos habituais de outras aldeias e lugares que um grupo de trabalhadores e habitantes do Vale das Gata

O antigo refeitório no Vale das Gatas

Um espaço amplo servia de refeitório no Vale das Gatas O Vale das Gatas, lugar da freguesia de S. Lourenço de Ribapinhão onde se explorou durante largos anos o volfrâmio, foi o tema de conversa com o Eduardo Vilela, em 9 de outubro de 2020, conversa que gravei em vídeo, encontrando-se este disponível na ligação abaixo. Contou-nos o Eduardo, natural da Delgada, lugar da mesma freguesia, alguns pormenores interessantes da vida de trabalho dos mineiros e outros trabalhadores e trabalhadoras que faziam pela vida na exploração mineira do Vale das Gatas. Eduardo Vilela, junto ao antigo refeitório do Vale das Gatas Um dos pormenores interessantes que relatou o Eduardo foi acerca do refeitório que acabou por, mais tarde, ter funcionalidades diferentes daquela que certamente levou à sua construção. Ali, num espaço enorme, eram realizados convívios e bailaricos, principalmente aos domingos. Sessões de cinema ocorriam nesse grande salão, que me lembre, aí pelo final dos anos sessenta do século XX

Encruzado (Branca)

Vinhos: grandes castas portuguesas Encruzado (Branca) Para quem gosta de Vinho Branco da Borgonha, vinhos de estilo tropical do “Novo Mundo” ou Vermentino (Itália). Considerada por muitos enólogos como uma das grandes variedades portuguesas, a casta Encruzado é capaz de produzir vinhos brancos excepcionais. É cultivada quase exclusivamente no Dão e requer uma atenção especial e atenção para se poder extrair os seus melhores aromas. Os vinhos que dela originam são voluptuosos e complexos, com notas minerais aromáticas e frutas tropicais, especialmente mamão verde, maracujá e melão. A casta Encruzado envelhece bem com nuances de avelã e, quando fermentada em carvalho e baunilha pode ser visto como uma fusão da textura e terroir de um Chardonnay da Borgonha com os aromas da uva portuguesa Fernão Pires. Harmonização com a casta Encruzado: A casta Encruzado é uma companheira de mesa flexível possuindo, ao mesmo tempo, as características dos v

Decantação

Decantação dos vinhos A palavra "Decantação" significa limpar, purificar. Deve fazer-se a decantação sempre que os vinhos contenham impurezas, o chamado "depósito" no fundo da garrafa. Decantar um vinho é o processo pelo qual se filtram as impurezas e alguns aromas desfavoráveis à qualidade do próprio vinho. Hoje em dia, no entanto, os métodos modernos e sofisticados utilizados na sua fabricação permitem obter vinhos completamente límpidos. Tratando-se de um vinho sem impurezas, basta simplesmente passar-se, de um modo lento, de um recipiente para outro para que o líquido possa "respirar", como é comum dizer-se. Contudo, se o vinho contém impurezas, a passagem de um recipiente para o outro deve fazer-se com auxílio de um filtro que pode ser de tecido ou mesmo de papel. Este processo é sobretudo utilizado para os vinhos do Porto como os Vintage que, normalmente, apresentam alguns resíduos. Neste caso, quando se verte o vinho, deverá parar-se de o fazer a pa

Bolo "económico" familiar

Semelhanças entre os bolos económicos e o "económico familiar" Por diversas vezes, mencionei neste blogue os tão famosos bolos económicos ou bolos de azeite, confecionados principalmente na região transmontana, mas também em outras regiões de Portugal, eventualmente com pequenas alterações nas quantidades dos seus ingredientes e no modo de preparação. No que respeita ao tamanho e formato, o bolo apresentado na foto não tem semelhanças com os bolos económicos. Considero este um bolo familiar, ao contrário dos económicos que são doses individuais. Existem no entanto parecenças, pelo facto da massa conter os mesmos ingredientes, com diferenças nas suas quantidades. Assim, no caso deste bolo, a farinha é reduzida substancialmente, para muito menos de metade, em relação aos económicos. Do mesmo modo, são reduzidas as quantidades de azeite e leite, não tão drasticamente, aumentando-se o número de ovos, para mais dois ou três. Bolos "económicos" ou de azeite (vídeo)

Natal do Pandegueiro e do Gaiteiro

Natal: para quê tantas compras, tantos presentes, tantos faz de conta? por Jorge Lage Linguagem popular Quem me conhece sabe que não sou muito entusiasta do Natal, questionando-me: – para quê tantas compras, tantos presentes, tantos faz de conta? A noite de Natal ou de consoada sempre foi parca em casa dos meus pais. É claro que havia os tachos e as travessas de gemalte que se enchiam de filhózes e rabanadas, de polvo frito em ovo e salsa. As filhós e rabanadas eram regadas com molho de mel (e canela). Mel da montanha da Padrela, que a minha mãe trocava por azeite, ao Ti «Joeu». Trazia-o em cântaros de cortiça e lata, nas cangalhas sobre o dorso do pachorrento jumentico. As grandes travessas de faiança do cavalinho e outras de porcelana enchiam-se de aletria pobre (só com leite e sem ovos) e polvilhada com canela, deixando rastos de desenhos geométricos a indicarem como devia ser retalhada. Era comida à fatia e à mão ou em cima de trigo, sêmea ou charrão. O meu Pai não dispensava os bo

Pela Ladeira do Arrebentão III

Pela Ladeira do Arrebentão III por Jorge Lage Linguagem popular A mêo da tarde do dia seguinte regressámos a Valdasmós para virar o feno. E passados mais dois dias voltámos lá para trazer a carrada. Puseram-se ao carro as varas compridas ou grade, com duas estadulhetas à frente e duas atrás, para carregar mais feno que até batia no cachaço dos beis. Até as velhas engarelas deram lugar a umas novas e de estadulhos mais altos. Com o feno já junto em pequenos montes preparados para a forcada e mandar para o carro, o meu Pai e o meu irmão avaliaram, em pormenor e desenharam mentalmente, como deviam sair do lameiro encosta sobessa acima, rumo à Ladeira do Arrebentão. A Ladeira do Arrebentão era o «Cabo das Tormentas» da minha aldeia. Só os lavradores mais destemidos se aventuravam com um carro carregado Arrebentão acima. O feno engoliu engarelas, estadulhos, mesmo os dois estadulhos de volta. Dos bois apenas se viam os pescoços, as molidas e os focinhos. O meu Pai calcou munto bem o feno,

Pela Ladeira do Arrebentão II

Pela Ladeira do Arrebentão II por Jorge Lage Linguagem popular Mas o Castanho não se habituou, nem o lavrador quis passar por aquela desonra. E, poucos dias depois, tinha comprado um boi vivo ao Zeca de Veiga de Lila. Apesar de alto era esguio, o «Lila», assim foi baptizado, diziam que mais parecia um gato por ser delgado. E provocava animadas conversas nos adjuntos do terreiro da aldêa. – Não é semente do Marelo – opinou o Chico Maria. O Eugenho dizia que era um bei bô e com o Castanho ainda se fazia melhor. Apesar do semblante carregado e relado, o Manel lá se foi habituando à nova junta. Aos poucos foi esquecendo o provérbio, «homes de Santa Maria (de Émeres), beis de Valpaços e mulheres de Valtelhas, quem os meter em casa torce as orelhas». Aproximando-se o fim de Maio era preciso segar o feno do lameiro de Vale das Mós, perto da Ponte da Formigosa. Como sempre, era o Ti Manel Maria (dos Eixes) que s

Pela Ladeira do Arrebentão

Pela Ladeira do Arrebentão por Jorge Lage Linguagem popular Este conto foi escrito com inobservância do (des)acordo ortográfico, empregando linguagem popular. É ficcionado, apesar dos nomes das pessoas parecerem reais. Jorge Lage A junta de bois mirandeses pareciam dois castelos. Eram novos, mas quase cerrados e como duas estampas. Bons de mãos e de patas e nunca se negavam ao carro ou à charrua. Foi na «Feira dos Santos da Torre» que foram adquiridos a um lavrador serrano e por preço em conta. O «Marelo» tinha uma pelagem fina quase toda amarelada, puxava à mão-esquerda e tinha um olhar mais vivo e mexido. Sendo eu criança tinha-me azar, sem eu saber porquê. Nunca perdia a ocasião de agitar a galhada na minha direcção e o meu «respeito» e medo eram muitos e constantes. O mais escuro, amarelo-acastanhado, o «Castanho», mais calmo e olhar pachorrento, aceitava-me embora eu mantivesse sempre uma distância de grande respeito. Decorria o mês de Março em que havia as últimas lavouras da dec

O escano

O escano, por Jorge Lage O Scano Dormem os camponeses no teu regaço, Ó scano de uma vida imorredoira. Toca-se do teu canto a dobadoira, Vai navegando tudo no teu espaço. Saltam para ti felinos na noite fria Tombam na cinza tamancos que o lume cresta. Serves de abrigo aos torgos de urzes e giesta E és berço de menino durante o dia. Cai sobre ti uma tábua à refeição Nela se poisam malgas de barro grosso, De mãos erguidas rezam o pai-nosso, Antes do caldo servir partem o pão… E pela noite dentro, juntos na vida, Rezam a oração na despedida, Uns elevam a voz ao sono resistindo, Outros: - amém! - respondem, já dormindo. Há sempre uma brasa viva na lareira, Ficas tu e ela. - Adeus meu scano lindo! Abadim, 1959, de Abílio Bastos Os velhos escanos das nossas antigas lareiras são dos que mais histórias nos podiam contar e de terços rezados. O pai do Abílio, como não tinha «rosairo», para a reza servia-se do martelo para cada um dos mistérios e ao fim de cada dezena virava a fac

O Carnaval na minha infância

O Carnaval na minha infância por João de Deus Rodrigues (memórias) Foi antanho, é passado, Mas a memória devolve tudo: Uma mulher, a roca, o linho fiado, Mas não se fiavam as barbas ao Entrudo! Mão ágil, fósforo aceso, a estopa queimada. Uma pedra que sai da mão, E a cabeça rachada, ao carpinteiro João. Uma mulher, as estopas a arder, A ousadia, o drama, a agressão. Porque os homens da aldeia faziam tudo, Para que não se fiassem as barbas ao Entrudo, Para manter viva a tradição. Enquanto na cozinha, à luz da candeia, Quatro gerações junto à lareira, Festejavam o carnaval, sem máscaras, Essas coisas do demónio tentador, Porque só eram permitidas brincadeiras, De deitar farinha na cabeça, E contar “estórias”, não muito brejeiras… E toda aquela boa gente, De cara descoberta, alegre e contente, Passava a noite de carnaval, Com uma estridente gargalhada, Até ao clarear da madrugada... Era assim o Carnaval na minha infância, Em casa dos meus avós materno

Feira do Fumeiro de Montalegre 2019

Feira do Fumeiro de Montalegre, 26-01-2019

Vilarinho - Mondim de Basto

Vilarinho - aldeia satélite de São Pedro de Vilar de Ferreiros por Costa Pereira Vilarinho (vista parcial) Aldeia satélite da povoação de São Pedro de Vilar de Ferreiros, a localidade de Vilarinho cujo nome etimologicamente nasceu à volta da primitiva "Villa" agrária ou "Villar" inicial que, graças à romanização alguém, em tempos remotos, achou por bem implantar neste bucólico e acidentado espaço geográfico que os "grichos" do sagrado Monte Farinha, virados a sul, fertilizam desde o Vale do Reino (Richeiras), pelo córrego dos Poços do Linho ou Carregal, até lá ao fundo de Ervedeiro, onde na horizontal, descendo das bandas de Ventozelos, corre a Ribeira Velha ao encontro do Cabril, afluente do Tâmega. Anterior à romanização desta espaçosa área geográfica, são por certo os inúmeros vestígios de povoamento pré-histórico que dentro e ao redor de localidades como Vilarinho, ainda hoje aparecem a esmo pelos ermos circunvizinhos da

Mondim de Basto

Mondim de Basto: dados históricos por Luís Jales de Oliveira e Alfredo Pinto Coelho Mondim de Basto: entre o Minho e Trás-os-Montes No século II A.C. as legiões Romanas sob o comando do Cônsul Décio Juno Bruto invadem e conquistam toda a Região. Há resistência heróica da famosa cidade Cinínia, solar da belicosa tribo dos Tamecanos, provavelmente situada no alto de Nossa Senhora da Graça (Monte Farinha). Décio Juno Bruto funda na serra de Ermelo a cidade «Maranus», que viria a tornar-se numa das mais famosas e importantes de toda a Península Ibérica (séc. II A. C.). Nasce em Atei Santa Senhorinha de Basto (Ano 924). São assassinados e sepultados em S. Pedro de Atei sete Condes por um familiar de D. Afonso Henriques (Princípio da Nacionalidade). D. Sancho I concede Foral a Ermelo (Abril de 1196). D. Nuno Álvares Pereira caça neste Concelho e aqui recruta homens para a batalha de Aljubarrota, tomada de Ceuta, etc. (1384/1385). Gonçalo Vaz, o Moço, deste Concelho, salva a vida a D. João I,

Mateus, Vila Real

O Solar de Mateus É na freguesia de Mateus, concelho de Vila Real, onde existe um dos mais notáveis monumentos da aristocracia portuguesa – o Solar de Mateus – que deu o nome e ilustra o rótulo de uma das marcas de vinho mais conhecidas do mundo – o Mateus Rosé –, exportado para muitos países. É a empresa Sogrape a responsável pela comercialização destes vinhos de mesa, não tendo, hoje, o Mateus Rosé, nada a ver com o Palácio de Mateus. Portão de entrada para o Solar de Mateus No século XVIII, António Botelho Mourão, avô do morgado de Mateus, mandou construir O Palácio de Mateus. Atribui-se o projecto arquitetónico a Nicolau Nasoni, sendo a obra testemunho do período barroco em Portugal. O Solar de Mateus, ex-libris do distrito de Vila Real, é hoje uma fundação onde são realizadas várias actividades culturais. Situada a cinco quilómetros da cidade de Vila Real, a freguesia de Mateus sempre gozou de uma situação geográfica privilegiada. Atraídas pela fertilidade dos solos, algumas famí

Responso de S. Justo

Responso de S. Justo Para livrar de todos os perigos por Jorge Lage Jesus, Santo nome de Jesus! (3 vezes) Justo Juiz final, Filho da Virgem Maria. Foste nado em Belém, E em vale de Jacaria. Peço, Senhor, nesta hora, E neste dia, Que livreis e guardeis, Toda a minha família, De noite e mais de dia. Quem for para lhe bater, Prender ou algum mal lhe fazer, Maus olhos não os vejam, Má boca não lhe fale, Maus braços não os abracem, Más pernas não os alcancem, Como disse Nosso Senhor Jesus Cristo ao seu discípulo. Fasta-te e elo (3 vezes) Com armas de Cristo, andem guardados, Com leite da Virgem Maria, orvalhadas, Pelo sangue de Nossa Senhora e Jesus Cristo. Tragam sempre sempre no corpo deles, Para não serem presos, nem mortos, Caminhos andarão, bons e maus, E encontrarão os bons. Passarão os maus, Não os verão. Queria Deus que eles sejam, De noite e mais de dia, Como foi Jesus Cristo Dentro do ventre da Virgem Maria. Eu os entrego a Jesus, E à flor donde E

Enterro do Bacalhau

Enterro do Bacalhau, tradição popular de Vila Real Costume de Vila Real, em tempos que já lá vão. Chico Costa, em Crónicas de Vila Real (1987), conta como era. Na noite de Sábado Aleluia saía o Enterro do Bacalhau. " À frente, um esquadrão de cavalaria, com terno de clarins, da tropa do Matadouro, abria o cortejo. Seguiam-se na sua máxima força as tropas do Cimo do Campo da Rua dos Ferreiros. Um bacalhau enorme, feito de cartão, enfiado num garoto, seguia escoltado pelos últimos militares... ". Havia também carrascos, juízes, advogados. E testemunhas: " As de acusação estavam a cargo dos criados dos talhos; as testemunhas de defesa eram marçanos das mercearias ". Passo de procissão, archotes, muito povo, " Um coro de carpideiras acaudatava o préstito ". Seguia-se o julgamento que redundava numa " hilariante paródia aos acontecimentos locais ". Finalmente, o bacalhau era enforcado, ouvindo-se versos humorísticos. Os merceeiros, por exemplo, cantav

Marron Glacé

Castanha caramelizada por Jorge Lage O “marron glacé” ou castanha caramelizada tem na origem o uso e saber dos gregos e romanos de guardarem os frutos secos em mel, já que este é um poderoso conservante natural. Os franceses (possivelmente através dos conventos e mosteiros) foram herdeiros destes saberes e já na época do romantismo teve um desenvolvimento e aperfeiçoamento notável, uma vez que serviam para galantear as belas e nobres damas nos saraus e salões. Mais tarde os espanhóis ficaram impressionados com os preços altíssimos que os franceses vendiam o “marron glacé” em Paris, pelo que se informaram das técnicas e saberes e puseram mãos à obra. As palavras dos rótulos condizem com o produto e o alegre espírito galego:  “O autêntico «Marron Glacé» é o doce mais caro, romântico e esquisito do mundo.”; “Uma jóia gastronómica da nossa cultura europeia…”; “Sem corantes ou conservantes, alimenta o bom gosto e provoca optimismo e euforia.”; “Devemos comer tantos marrons glacés quantas as

Novas fotos do Alto Douro

Novas fotos: vistas para o vale do rio Douro Do miradouro de São Leonardo de Galafura e de Covelinhas Em outubro de 2016, através de um pequeno artigo no blogue NetBila, referenciei a ligação para um conjunto de fotografias da região do Alto Douro, em galeria do Google Fotos. Simultaneamente dei conta de outras galerias divididas em álbuns temáticos, nomeadamente sobre as cidades de Vila Real e Peso da Régua, da vila de Montalegre, Douro Superior e o Duero, em Espanha, e a vila de Armamar, do mesmo modo representada num conjunto de várias fotos. Hoje, refiro de novo essa primeira galeria que pode ser observada a partir da ligação NetBila Google Fotos , com novas fotos da região vinhateira: vistas para o vale do rio Douro a partir do miradouro de São Leonardo de Galafura e da aldeia de Covelinhas, lugares pertencentes ao concelho do Peso da Régua, distrito de Vila Real Alto Douro Google Fotos

Fernão Pires / Maria Gomes (Branca)

Vinhos: grandes castas portuguesas Fernão Pires / Maria Gomes (Branca) Se gostar de Viognier, Roussanne ou Torrontés. Outra das mais antigas variedades de uva de Portugal e, de longe, uma das mais cultivadas, a casta Fernão Pires é encontrada em praticamente todas as regiões produtoras, sendo mais forte na região do Tejo e da Bairrada, onde é conhecida como Maria Gomes. A casta Fernão Pires, com videiras de alto rendimento, é alvo de crítica por produzir vinhos unidimensionais com falta de acidez e propensos à oxidação, mas um cuidado atento pode realçar os seus extraordinários aromas inebriantes e uma capacidade para produzir vinhos distintos com carácter forte. Apresenta aromas cítricos maduros e notas de mimosa, lima e laranjeira, colocando-a na família de uvas aromáticas com as castas Alvarinho, Loureiro e Moscatel. Harmonização com a casta Fernão Pires / Maria Gomes: Uma boa abordagem para pensar sobre a casta Fernão Pires à mesa é ter em con

Douro: Covelinhas

Também os pequenos lugares irradiam beleza neste Douro maravilhoso!

Douro: a perfeição dos pequenos lugares

Também os pequenos lugares irradiam beleza neste Douro maravilhoso! Covelinhas Quem visita o São Leonardo de Galafura, miradouro situado muito próximo da aldeia de Galafura, pertencente ao concelho do Peso da Régua, como, aliás, fizemos referência em artigo anterior , poderá, tendo tempo para isso, visitar um outro lugar da mesma freguesia, a União das Freguesias de Galafura e Covelinhas. Covelinhas é essa aldeia que destacamos hoje neste texto. Dista do miradouro de São Leonardo de Galafura seis quilómetros e situa-se na base do monte que sustenta no alto aquele miradouro. Para lá chegar, basta entrar no centro da aldeia de Galafura e daí seguir as indicações. Covelinhas, em primeiro plano, e na outra margem do rio a Folgosa (Clique na imagem para visualizá-la em maior tamanho) Como disse, vá com tempo, pois esses seis quilómetros deverão ser feitos com muitos cuidados. A estrada é estreita e os declives por onde passa são muito inclinados. Mesmo assim, aqui e ali, poderá parar o seu

São Leonardo de Galafura, Peso da Régua

Miradouro maravilhoso com vistas belíssimas para o vale do rio Douro, entre terras do Peso da Régua e Pinhão!

Recantos do Douro

Tantos são os recantos do Douro, e tão belos! São Leonardo de Galafura Tantos são os recantos do Douro, lindíssimos não só pelas paisagens que a partir deles se contemplam, mas pelos próprios lugares, alguns de pequenas dimensões, tratados primorosamente por cuidadores exímios, como é o caso do miradouro de São Leonardo de Galafura, situado lá no alto de um monte sobranceiro ao rio Douro!  São Leonardo de Galafura, Peso da Régua (clique na imagem para visualizá-la em maior tamanho) É um gosto, de facto, observar a vista belíssima do vale do Douro vinhateiro, entre terras do Peso da Régua e Pinhão. Igualmente maravilhoso é observar a harmonia dos espaços do miradouro, asseados, com os arbustos e árvores muito bem enquadrados ao pé da capela erigida em honra de São Leonardo – São Leonardo de Galafura.  Galafura é uma aldeia pertencente ao concelho do Peso da Régua, distrito de Vila Real. Forma, juntamente com a aldeia de Covelinhas, a União das Freguesias de

Uma história do Sérgio, pastor de Varzigueto

Pela serra do Alvão, o auxílio do Sérgio numa noite de inverno!

Pelos montes do Alvão, o Sérgio e seu filho João

Sérgio e João, pastores de Varzigueto, Mondim de Basto A pastorícia é uma profissão que exige uma dedicação completa, diária, presa aos animais, mas ao mesmo tempo propiciadora de uma certa liberdade, na medida em que o pastor percorre livremente os caminhos da serra, normalmente em belíssimos ambientes da natureza. A propósito, Jorge Lage conta-nos em artigo publicado recentemente neste blogue “ Os pastores ” que uma das condicionantes dos que apascentam os seus animais são os caminhos e as rotas a seguir em função das rotas trilhadas por outros pastores. Ou seja, quando na mesma área existiam vários pastores, como acontecia antigamente nas serras em volta de Mirandela, conta Jorge Lage que, muitas vezes, o gado que saiu à frente e tomou certa direção obrigava o seguinte a rumar noutra direção, mesmo que a intenção fosse a mesma do primeiro. “Gados a andarem próximos uns dos outros não era aconselhado.” No entanto, a vida dos pastores, ou pastoras que as há também, só eles e elas sabe

Provérbios iniciados com a letra C

Lista de alguns provérbios enviados por Jorge Lage Cada cabeça sua sentença. Chuva de São João, tira vinho e não dá pão. Casa roubada, trancas à porta. Casarás e amansarás. Criou a fama, deite-se na cama. Cada qual com seu igual. Cada ovelha com sua parelha. Cada macaco no seu galho. Casa de ferreiro, espeto de pau. Casamento, apartamento. Cada qual é para o que nasce. Cão que ladra não morde. Cada qual sabe onde lhe aperta o sapato. Com vinagre não se apanham moscas. Coma para viver, não viva para comer. Com o direito do teu lado nunca receies dar brado. Candeia que vai à frente alumia duas vezes. Casa de esquina, ou morte ou ruína. Cada panela tem a sua tampa. Cada um sabe as linhas com que se cose. Cada um sabe de si e Deus sabe de todos. Casa onde entra o sol não entra o médico. Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Cesteiro que faz um cesto faz um cento, se lhe derem verga e tempo. Com a verdade me enganas. Com papas e bolos se enganam os tolos. Comer e coçar o

Vinhos e temperaturas

Influência das temperaturas no sabor dos vinhos Normalmente bebe-se o vinho branco demasiado gelado e é assim que ele é degustado por uma grande maioria de apreciadores. Esta ideia é contrariada pela generalidade dos enólogos que, dizem, o facto de se beber o vinho branco fortemente gelado contraria a apreciação na sua plenitude, naturalmente porque nesse estado ficam inexpressivas algumas das características do vinho e, quem sabe, poderão as próprias papilas gustativas não reconhecer tão facilmente toda a variedade de gostos que o vinho branco proporciona. Dizem os sabedores do tema "Vinhos" que um branco normal deverá ser servido a uma temperatura que ronde os dez graus centígrados. É evidente que, neste e noutros casos, o gosto de cada um tem de ser levado em conta, reconhecendo-se, contudo, que determinados parâmetros não devem ser ultrapassados, como o arrefecimento brusco em congelador. Tal como os brancos, no que respeita a temperaturas, os tintos têm as suas regras pa

Os pastores

O pior para um pastor brioso era acancelar as reses cheias de fome Os pastores por Jorge Lage Em finais da década de cinquenta, há cerca se sessenta anos, só na minha aldeia havia uns oito rebanhos de gado, a saber: dos Pinto Azevedo (de Vale Pradinhos – Macedo de Cavaleiros) cujo pastor era o António Mateus, de alcunha «o Sardinha» que tinha uma memória prodigiosa; do casal do Capitão Ilídio Esteves, sendo pastor o Abel Caldeiras, dos homens mais íntegros e sérios que conheci, embora tivesse mau vinho; do Correia de Oliveira onde pastoreava o Miguel Mateus; do meu tio, António José Lage; do meu pai, Eugénio Lage, cujo pastor mais marcante foi «o Canhoto» (Adriano); do Carlos Meireles, cujo pastor mais sonante foi «o Campainha»; o dos Abelhas, por vezes, com o Arlindo mais no trabalho de paquete e o Rôla (João) como pastor; e o do Casal dos Limas. Com tantas cabeças de canhonas para alimentar não havia erva nem arbusto que crescesse muito. Incêndios só nalgumas moutas de silvas. E esta

Aragonês / Tinta Roriz (Tinta)

Vinhos: grandes castas portuguesas Aragonês / Tinta Roriz (Tinta) Para quem gosta de Tempranillo (especialmente da Ribera del Duero), Sangiovese ou Carignan. A mesma uva que Tempranillo em Espanha. A Tinta Roriz é uma varietal muito fina de extraordinária qualidade, daí a sua presença em dois vinhos lendários produzidos na Península Ibérica: o Português Barca Velha e o espanhol Vega Sicilia. Esta uva também tem sido cultivada há séculos no Alentejo, mas sob o nome de Aragonês. Em anos bons, produz vinhos encorpados, escuros e muito aromáticos. A uva tem aromas finos e delicados de pimenta e bagas. A casta Aragonês tem rendimentos elevados e é indispensável para o lote de um bom Porto. Vinhos varietais tintos também estão a mostrar bons resultados, especialmente na região do Dão, enquanto os melhores lotes do Alentejo geralmente correspondem a amplas percentagens de Tinta Roriz tal como os tintos secos do Douro. Harmon