Enterro do Bacalhau

Enterro do Bacalhau, tradição popular de Vila Real


Costume de Vila Real, em tempos que já lá vão. Chico Costa, em Crónicas de Vila Real (1987), conta como era. Na noite de Sábado Aleluia saía o Enterro do Bacalhau. "À frente, um esquadrão de cavalaria, com terno de clarins, da tropa do Matadouro, abria o cortejo. Seguiam-se na sua máxima força as tropas do Cimo do Campo da Rua dos Ferreiros. Um bacalhau enorme, feito de cartão, enfiado num garoto, seguia escoltado pelos últimos militares...".


Havia também carrascos, juízes, advogados. E testemunhas: "As de acusação estavam a cargo dos criados dos talhos; as testemunhas de defesa eram marçanos das mercearias". Passo de procissão, archotes, muito povo, "Um coro de carpideiras acaudatava o préstito".
Seguia-se o julgamento que redundava numa "hilariante paródia aos acontecimentos locais".
Finalmente, o bacalhau era enforcado, ouvindo-se versos humorísticos. Os merceeiros, por exemplo, cantavam: Morre de morte macaca/ como todos estais a ver!/ Só comereis carne barata/ quando o boi da cambra (Câmara) morrer.

António Cabral,
in "Notícias do Douro, 30 de Abril de 2003"

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