Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Artesanato

S. Pedro, em Vila Real

Anualmente, a feira de S. Pedro, em Vila Real Feira dos Pucarinhos O artesanato, hoje encarado de algum modo como uma forma de arte, era em tempos idos uma resposta do homem rural às suas necessidades do dia a dia. Sendo o distrito de Vila Real uma área rural por excelência, o artesanato sempre aí se foi desenvolvendo sob as mais diversas formas e técnicas, mantendo-se ainda hoje vivo na região, apesar de, tal como em outras zonas do país e por diversos motivos, atravessar a maior crise de sempre.  Em Vila Real, algumas formas de artesanato tradicional continuam a marcar a sua presença; no entanto, outras mais modernas têm vindo a aparecer, inovadoras mas também apoiadas nas tradições. Em relação às primeiras é importante referir o barro preto de Bisalhães e os linhos de Agarez, duas aldeias pertencentes ao concelho de Vila Real, muito próximas da cidade. As peças de louça em barro e os tecidos de linho desde sempre assumiram o protagonismo da F

Linhos de Agarez

Artesanato: linhos de Agarez, Vila Real Tear Em tempos idos, uma boa parte das famílias e casas de lavradores da região tinham à sua disposição teares, essas máquinas interessantíssimas para tecer, naturalmente mais ou menos complexas de acordo com as posses financeiras, pois um tear era construído com sabedoria e habilidade, tarefa só ao alcance de alguns. O tear da foto não é um desses a que me refiro. É um tear de mesa, de dimensões mais reduzidas que os de Agarez, contudo, semelhante na complexidade, servindo igualmente para tecer peças mais pequenas. Encontra-se atualmente no ArteAzul’Atelier, em Vila Real, para aprimoramento da sua estrutura, com objetivos de investigação da arte de tecer e, eventualmente, realização de algumas obras. Linho Outros teares, ou pelo menos vestígios estarão ainda na posse de algumas famílias, em certas aldeias, como em Agarez, a mais representativa, mas também Mondrões e Couto de Adoufe, entre outras no concelho de Vila Real, onde algumas artesãs con

Olaria negra de Bisalhães

A olaria de Bisalhães é um dos ex-libris de Vila Real Olaria negra de Bisalhães A olaria de Bisalhães é um dos ex-libris de Vila Real, pela sua tradição secular que se prolonga até aos nossos dias.  O barro é picado até se desfazer em pó. As impurezas são removidas e a mistura com a água cria a matéria-prima. Em seguida, o oleiro dá-lhe forma na roda e, antes que a peça seque, desenham-se nela flores e outros ornatos. A cozedura faz-se num forno aberto no chão. Colocadas as peças, cobrem-se com rama de pinheiro verde, a que se ateia o fogo. O forno é abafado com caruma, musgo e terra, para que se não libertem fumos e seja obtida a cor negra característica.  Recomenda-se uma visita à aldeia, local onde um ou outro oleiro trabalha e se localizam os fornos, e aos postos de venda na Avenida da Noruega, em Vila Real, à saída para a autoestrada Porto-Bragança.

"Bisalhães - Anatomia de um Povo"

Excerto do livro "Bisalhães - Anatomia de um Povo" de Maria Emília Campos e Duarte Carvalho Situada a cerca de 8 km para sudoeste de Vila Real, entre a cidade e o Marão, na margem direita do rio Gorgo e assente nas primeiras e ainda muito esbatidas pregas da serra, encontra-se uma pequena e típica aldeia de oleiros - Bisalhães. Pertencente à freguesia de Mondrões, com a qual confronta a norte, a aldeia de Bisalhães confronta a sul com a freguesia de Torgueda, a poente com a freguesia de S. Miguel da Pena e a nascente com um pequeno ribeiro, afluente da "Ribeira de Machados". Conhecida desde sempre como centro oleiro, a aldeia de Bisalhães chegou a ter, desde que há memória, 75 homens a trabalhar o barro, uns por conta própria, outros "à jorna", o oleiro que ia trabalhar ao dia, por conta de outrém. Trabalhava na sua roda, mas era ao patrão que competia transportá-la de casa do oleiro para a sua. Por vezes a roda era transportada pel

Artesanato e artes manuais

A propósito de artigo anteriormente publicado " Que futuro para Bisalhães? " e transpondo a sua reflexão para o tema do artesanato em geral e as artes manuais, não podemos deixar de referir o desinteresse, em nosso entender, com que estas matérias têm sido tratadas em opções políticas apenas preocupadas com grandes projetos, descurando estas pequenas grandes coisas que também dizem respeito à cultura dos povos. Note-se que nas áreas da formação e educação públicas, contrariando estudos científicos de que os trabalhos manuais são um contributo muito importante para o desenvolvimento intelectual e destreza manual do indivíduo, decidiram em tempos os responsáveis retirar do currículo do ensino básico a disciplina de Trabalhos Manuais, inserindo apenas reduzidíssimas partes do seu programa na disciplina de Educação Visual, passando esta a ter o nome de Educação Visual e Tecnológica, atualmente dividida nas disciplinas de Educação Visual e Educação Tecnológica, com a conseque

Que futuro para Bisalhães?

Vila Real, Bisalhães e o artesanato Este artigo foi publicado pelo autor deste blogue no "Notícias de Vila Real", edição de 27 de fevereiro de 2003. Talvez faça sentido a sua reedição neste blogue. Vila Real e o artesanato têm a sorte de, ainda no momento actual, contarem com a contribuição importante de alguns, amantes da manufacturação de peças únicas nas suas características, utilizando materiais com tradição existentes nesta região, seguidores persistentes, fiéis aos usos e costumes dos seus antepassados aos quais tiraram ensinamentos e experiências, permitindo a continuidade da história cultural das gentes que, carinhosa e teimosamente, contra a corrente, vão ficando presos à terra que os viu nascer. Executam trabalhos de destreza manual impressionante e são conhecedores experimentados dos pontos fracos dos objectos que brotam das suas mãos calejadas pelo frio, pela intempérie e pelo forno abrasador. Perfeitos e cadenciados preocupam-se com a qualidade. Sabem que o prod