Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Usanças

Medida do Pé

Imagem
"Medida do pé para calçado"
por Jorge Lage
Hoje guiamo-nos pelo número do pé. Os números do pé, para sapatos, e do pescoço, para camisas, sempre me meteram confusão. O que sei é que nos regemos por números para vestuário e calçado. Mas, na roupa surgiu outra medida, por letras. Assim, temos para crianças a roupa por meses e anos; para senhoras o tamanho «S» é o mais comum; e o «M» para homens. Nem todos temos o mesmo peso e medida e surgiram outros números em crescendo «L», «XL», o «XXL» e os que pela sua grande massa corporal só vestem por encomenda. Voltando ao calçado, nos tempos idos da década de cinquenta, do século XX, as crianças da minha aldeia não iam às feiras. Acho que éramos um estorvo. Só quando se levava à feira um reco, lá ia a rapariga com os pais, a ajudar a tocar o bicho à feira e para tomar conta dele. O reco era trabalho de mulher, tal como as aves de capoeira. Os rapazes estavam talhados para os bois e só iam se fosse necessária a sua ajuda. Por isso, quand…

Folar

Imagem
Lenda da origem do folar "Folore" - Folar Na Páscoa, em Trás-os-Montes, sobretudo na área norte - Valpaços, Chaves, Montalegre e Bragança -, manda a tradição que, nas casas de família que se prezem, o folar marque presença sobre as mesas desta quadra festiva. No convívio familiar destes dias fala-se das histórias e das origens deste manjar. A palavra "folore" deriva das flores que, segundo a lenda, teriam sido colocadas num altar por uma jovem casadoira. Eram dois os pretendentes à donzela: um lavrador e um fidalgo. Os dois envolveram-se em lutas sucessivas e a jovem sentiu-se pressionada a fazer a sua opção o mais rapidamente possível. Decidiu então que o Domingo de Páscoa seria o dia em que anunciaria o escolhido com quem casar. Entretanto, até à Páscoa, toda a aldeia presenciou a oração ininterrupta da jovem, em pleno jejum, junto do altar da igreja da aldeia, suplicando ajuda para o fim do conflito e para a sua decisão. Na última peregrinação, antes de anuncia…

O reco do Nanico de S. Lourenço

Imagem
A primeira vez que o Nanico ajudou ao reco O João Nanico, também conhecido pelos que lhe são próximos por Janico, é proveniente de uma família modesta e trabalhadora, com escassos recursos económicos. No entanto, com a agricultura precária que mantêm com umas leiras de montanha lá vão angariando para o dia a dia. O reco, tal como em outros lares da aldeia, é o principal meio de sustento na época de inverno e motivo de festa. Desde pequenote, o Janico acostumou-se à ideia do grito esganiçado do animal que sabia de véspera o fatídico destino. Serão desnecessárias considerações ou descrições retratando uma realidade que, sendo cultural, não deixa de constituir um modo expedito para dar largas ao prazer da boa comida que resulta das carnes alimentadas com produtos da terra. Deixemo-nos então de repetir fórmulas largamente experimentadas por verdadeiros e conceituados descritores dos modos de viver destas gentes como as que habitam perto da família do Janico. Este lembra-se ainda da prime…

Confraria De Pyjames

Imagem
De Pyjames: preocupações de natureza histórico-cultural Ainda do prospeto «Encontro "Saber Trás-os-Montes" (Vila Real, 2009) - Gastronomia Trasmontana e Alto-Duriense • Grémio Literário Vila-Realense», copiou-se para este pequeno artigo a imagem e respetiva legenda: «Representação da Confraria De Pyjames num capítulo da Confraria dos Enófilos e Gastrónomos de Trás-os-Montes e Alto Douro (Vila Real, 29 de Junho de 2002)». Do mesmo documento, editado pelo Grémio Literário Vila-Realense, transcreveu-se de igual modo um pequeno excerto do parágrafo que faz referência à Confraria De Pyjames e suas preocupações de natureza histórico-cultural, documentadas em algumas iniciativas: «colocação de lápides em alguns dos restaurantes que foram palco de congressos; colocação em 1997 de duas placas (“polacas”), na “Esquina da Gómes”, como forma de recordar a importância desse estabelecimento surgido em 1952 e da esquina na história da cidade e de cada um dos seus habitantes em particular …

De Pyjames: registos e memórias

Imagem
Congresso dos pyjamantes de 1958 ou 1959 A foto, inserta no prospeto «Encontro "Saber Trás-os-Montes" (Vila Real, 2009) - Gastronomia Trasmontana e Alto-Duriense • Grémio Literário Vila-Realense», refere-se, segundo informação do mesmo documento, ao congresso dos pyjamantes de 1958 ou 1959, no Restaurante Excelsior, em Vila Real. Do prospeto foi transcrito para mais esta referência a “De Pyjames” o parágrafo: «Aos jantares que se realizaram, sempre no último sábado de Novembro, na Marisqueira, na Pensão Guedes, no Restaurante Excelsior, no Asilo ”O Amparo de Nossa Senhora das Dores”, na Toca da Raposa, na residência do António da Toca, no Chaxoila, no Imperial, na Pensão Areias, no Restaurante Montanhês, nos Irmãos Unidos e em tantos outros lugares, sucedia-se, como já se disse, o Baile, que nesses tempos tinha lugar ora no Club de Vila Real ora nos claustros do Governo Civil. A ele compareceram, algumas vezes, vestidos com o seu traje de noite e simultaneamente de gala, ma…

Pyjamantes: registos e memórias

Imagem
“De Pyjames” Conforme os registos e memórias de alguns pyjamantes, o primeiro jantar da confraria De Pyjames, referido já em artigo anterior, terá ocorrido em 1956, na Marisqueira, onde muito se terão divertido os precursores do grupo dos pijamas, acompanhados de um bom cozido à portuguesa ou talvez cabrito assado ou vitela assada com arroz de forno e vinho da região, preparando-se desse modo para uma entrada fulgurante no Baile de Gala instituído pela Academia Vila-Realense.  Na primeira metade da década de 1960, num dos jantares e no meio de tantas risadas, brincadeiras e pijamas terá surgido a expressão “De Pyjames”, relacionada com outra “De Colores” muito usada nesse tempo, e ainda hoje, pelo Movimento dos Cursos de Cristandade, movimento católico que surgiu em Palma de Maiorca, no final da guerra civil de Espanha, em 1939, chegando a Fátima em 1960 e a Vila Real pouco tempo depois, com grande adesão. Assim, imitando o dístico “De Colores”, um ou outro pyjamante usava no próprio…

De Pyjames

Imagem
Primeiro jantar É no contexto das limitações impostas pelo reitor do Liceu Nacional Camilo Castelo Branco, Dr. Martinho Vaz Pires, às iniciativas que a Academia Vila-Realense levava a efeito no 1º de Dezembro, privilegiando, em detrimento destas, o programa realizado pela Mocidade Portuguesa, que um grupo de ex-alunos (a que se juntam alguns que frequentavam ainda o mesmo estabelecimento de ensino e outros que a ele eram totalmente estranhos) decide organizar um jantar no último sábado do mês de Novembro, dia em que a Academia estava autorizada a realizar o seu Baile de Gala, que incluía uma ceia a que não reconheciam qualquer qualidade. Se é verdade que para alguns as medidas adotadas pelo reitor foram consideradas discricionárias e meramente políticas (e oportunamente retratadas no Regadinho – um cortejo que passava em revista a vida do Liceu e da cidade, bem na linha da irreverência do meio académico local), o que os uniu a todos nesta iniciativa foi o desejo de fazer uma refeição…

Confraria dos Pyjamantes de Vila Real

Imagem
O jantar dos pijamas Em artigo anterior sobre a casa de pasto "Chaxoila", referiu-se o facto de ter sido adotado este restaurante como um dos preferidos para as tertúlias anuais da confraria dos Pyjamantes de Vila Real, que aconteciam nesta cidade transmontana, desde o ano de 1956, segundo apontam as memórias. Disso é prova a placa alusiva que se encontra à entrada daquele restaurante, como é mostrado na fotografia, assinalando a data da tertúlia do ano de 1992, realizada em 28 de novembro, no seu trigésimo sexto aniversário, onde consta a quadra:
"Prós Pyjamantes,
o tempo gira em tal sarabamda,
que – quantos anos já temos?
Ninguém sabe a quantas anda......"

A palavra sarabanda aparece escrita com "m", naturalmente por erro do artista que gravou as palavras na pedra, ou talvez assim estivesse escrito nas mentes pyjâmicas.  Os elementos que faziam parte da confraria dos Pyjamantes reuniam-se todos os anos, uma semana antes do primeiro de dezembro, ao jant…

Tecelagem artesanal

Imagem
Fios de lã de ovelha e de linho Pelo que se ouve contar em diversas regiões, nomeadamente em Trás-os-Montes e principalmente pelas pessoas com mais idade, muitas famílias e casas abonadas possuíam teares que iam passando de geração em geração, servindo para fabricar os próprios tecidos. Tapetes, mantas e carpetes eram normalmente efetuadas por senhoras artesãs que se dedicavam à tarefa de tecer, com fio de lã de ovelha. No concelho de Vila Real, desde há muitos anos, tornou-se famosa a tecedura em linho, sendo na aldeia de Agarez, mas também em Mondrões e Couto de Adoufe, que ricas peças eram confecionadas, como por exemplo lençóis, colchas e toalhas de mesa, autênticas obras de arte muito apreciadas.  Agarez é uma aldeia pertencente à freguesia de Vila Marim, concelho de Vila Real, englobando também as aldeias de Arnal, Galegos da Serra, Quintela e Ramadas. Antes da concretização da obra – a peça tecida –, no caso específico do linho, este, desde o trabalho que envolvia o seu cultiv…

Vale das Gatas: o gasómetro

Imagem
O gasómetro dos mineiros Em artigo anterior “Vale das Gatas: o dinheiro do volfrâmio”, esse lugar pertencente à freguesia de S. Lourenço de Ribapinhão, concelho de Sabrosa, onde no tempo da segunda guerra mundial o volfrâmio era explorado, sobretudo com a penosidade do trabalho de gentes deveras necessitadas como os mineiros, mencionou-se um dos instrumentos por eles usados na laboração no interior das minas: o gasómetro. Este, servindo de luzeiro na escuridão das galerias do subsolo, era também absolutamente necessário para sinalizar ambientes escassos de oxigénio. Se a chama do gasómetro se apagasse, sem que para isso contribuísse qualquer corrente de ar inesperada, o alarme seria dado ao grupo de mineiros que ali operavam, para se retirarem imediatamente por causa do perigo de um ambiente sem ar respirável. A foto mostra um desses gasómetros de então, velhinho, desgastadas pelo tempo as suas cores.  No dia 9 de novembro de 2019, meio da tarde, numa breve visita a Provesende, aldei…

As rogas nas vindimas do Douro

Imagem
Da montanha ao Douro: a alegria das rogas  As vindimas na região do Alto Douro são sempre motivo de festa e alegria. Após um ano de árduos trabalhos pelos íngremes socalcos, e num clima de frio intenso de inverno e calor estival, chegados a setembro, com a colheita das uvas, fruto de um ano de muitas preocupações por causa das contingências da meteorologia e de males diversos que sempre espreitam as videiras, a festa é grande e prolongada. Nas vindimas, todos os dias são recomeços para uma etapa de trabalho e ao mesmo tempo de divertimento. É diferente de todos os outros, este trabalho de cortar as uvas, em grupo, de as transportar e, à noite, as músicas populares a animarem os lagares que ainda existem nas quintas e nas casas de algumas famílias para fabricar aquele vinho especial e tradicional, pisadas as uvas com pés e pernas. Nos dias de hoje, com as facilidades de transporte, os trabalhadores deslocam-se rapidamente em carros e camionetas, desde as suas aldeias à região do vinho…

A pisa das uvas

Imagem
Ganhar a "meia-noite" Na região transmontano-duriense, a que melhor conheço, mas também noutras regiões, a pisa tradicional das uvas, após a sua colheita, era dos trabalhos mais importantes para uma boa fermentação e consequente preparação do bom vinho. Ainda hoje, em algumas Quintas, também com fins turísticos, uma pequena parte do vinho faz-se por esse processo antigo.  A pisa das uvas realizava-se tradicionalmente num lagar, por homens que, em grupos, com os braços dados uns sobre os outros, efetuavam primeiramente o “corte”, percorrendo o lagar várias vezes, até que as uvas se transformassem num líquido vinícola espesso. Este procedimento inicial, mais organizado e responsável, exigia bastante esforço. De seguida, o trabalho tornava-se mais ligeiro, pois os pisadores podiam agora percorrer o lagar de modo aleatório e mais soltos, iniciando-se alguns jogos adequados àquele ambiente festivo, durando cada sessão quatro horas. Além dos jogos, como por exemplo a cabra-cega, …