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Igreja de Nosso Senhor dos Aflitos, em Amarante

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A Igreja de Nosso Senhor dos Aflitos foi construída pela Ordem Terceira de S. Domingos, concluída em 1725
Amarante é uma cidade sede de concelho pertencente ao distrito do Porto. O município de Amarante está encostado geograficamente à região do Alto Douro, nomeadamente aos concelhos de Vila Real e de Santa Marta de Penaguião. Em virtude da chegada dos voos "low cost" ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, a cidade de Amarante tem visto, nos últimos tempos, aumentar o número de turistas estrangeiros, não só para a visitarem, mas também utilizando-a como ponto de passagem para o Douro Vinhateiro. Em Amarante muito há para visitar e observar atentamente como por exemplo a célebre Igreja de São Gonçalo. No entanto, neste artigo, pretendemos dar conta das obras de recuperação de outra igreja, não menos importante, a Igreja de Nosso Senhor dos Aflitos, também conhecida por Igreja de S. Domingos. Essas obras terminaram já em 2011, estando assim as suas portas abertas, todos o…

Oleiro de Bisalhães

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O Senhor Ramalho, oleiro de Bisalhães
Foi em 1962 que fui para a estrada do Marão e já o meu pai lá tinha estado desde 1940, mais ou menos. Era um saltinho de Bisalhães até ali. Por volta de 1950, alcatroaram a estrada... Lá se ouve o barulho de um automóvel. Será que vai parar? Vinte ou trinta escudos era o que fazia num dia. Enquanto os meus filhos eram pequenos, a minha mulher vestia-os com qualquer trapo que comprava na feira. Quando cresceram, tive de arranjar emprego na Câmara. Era varredor, mas não gostava. Ao fim do dia, lá ia eu para o barraco que fiz ao pé da estrada. Aí tinha o forno, o barro e a roda. O pior era no Inverno: vinha o vento e muitas vezes partia-se a louça. E o frio? Muito lá rapei. E andei assim uns anitos. Depois fartei-me de varrer as ruas; o que eu gostava mesmo era fazer panelos. A "patroa" bem dizia: ó homem, um emprego é mais certo, e logo na Câmara. Não te metas em alhadas. Mas eu não quis saber e dediquei-me à arte a tempo inteiro. Dei um arra…

Roteiro Arqueológico e Artístico do Concelho de Vila Real

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Capela de Guadalupe
O "Roteiro Arqueológico e Artístico do Concelho de Vila Real" é da autoria de João Parente. De um modo claro, conciso, João Parente apresenta num pequeno livro textos precisos sobre o património arqueológico e artístico do concelho de Vila Real e imagens expressivas desse património, tudo muito bem enquadrado e esquematizado com os mapas respetivos dos lugares e diversos monumentos e seus pormenores, proporcionando o autor uma consulta rápida, numa leitura simples e culturalmente enriquecedora. Do livro "Roteiro Arqueológico e Artístico do Concelho de Vila Real" de João Parente (textos e fotografias) e mapas de Leonor Ribeiro, com produção de Mediana - Sociedade Gestora de Imagem e Comunicação, retirámos um excerto "Capela de Guadalupe" transcrito a seguir:

«É um templo do último quartel de século XV. A circunstância de ter sempre escassez de meios conservou-lhe a beleza e a unidade primitivas. O conjunto é românico. Mas a porta da fachad…

Mona Lisa

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Mona Lisa – La Gioconda, Museu do Louvre, Paris
Reabriu o Museu do Louvre

“Degustada” pelos olhares dos seus visitantes em observações entrecruzadas, Dona Mona Lisa – La Gioconda –, nos anos desgastada e hoje em dia dócil aos smartphones e seus flashs enérgicos, a esposa de Giocondo ali se expõe, de novo, no Museu do Louvre, em Paris, desprovida de formas e saliências modernas, imparcial de atitude. Certamente influenciada pela fortaleza ilimitada de conhecimento do seu génio – Leonardo da Vinci –, misteriosa, esboça simpáticos sorrisos a todos quantos se encontram naquela sala, atentos às vontades de maior proximidade e sobretudo em melhoria de enquadramentos eletrónicos, numa focagem condigna e primorosa que pretendem alcançar. Num certo despropósito, ressaltam disseminados fónicos sinais, descompostos na doidice emaranhada por entre falares e quadros musicais inicialmente confusos, moldados depois e projetados pelo som da Orquestra Filarmónica de Stuttgart, acompanhando do céu cântico…

O ArteAzul'Atelier, em Vila Real

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ArteAzul'Atelier:
atividades decorativas artesanais e pintura
Tivemos já oportunidade de descrever com pormenor o ArteAzul'Atelier, em Vila Real, nomeadamente sobre o seu início e projeto, que tem vindo a desenvolver-se desde finais de 2001. Tendo sido a pintura tradicional em azulejos um dos capítulos de iniciação das atividades do ArteAzul'Atelier, servindo a azulejaria de mote para a sua designação, variadíssimas áreas das artes decorativas e também a pintura se foram acrescentando à ideia inicial. Entendeu-se como elemento relevante, para além da execução artesanal e a realização de obra artística, a divulgação dos trabalhos e obras realizadas, com algumas exposições, mas principalmente através da internet. A comunicação constitui assim uma parte importantíssima do ArteAzul'Atelier, no sentido de, com imagens e descrições teóricas, dar a conhecer o desenvolvimento do projeto e novidades sobre as diferentes tarefas. A este propósito, …

Sinonímia, toponímia e outros conceitos

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Diz Jorge Lage:
- Não é fácil investigar sobre sinonímia, toponímia e outros conceitos
«Quem me dera cá o Verão, O tempo das carmiadas! Queria dar ao meu amor Quatro castanhas piladas.»
Nesta quadra do cancioneiro da castanha, destaco a palavra «carmiadas» que tem diversos significados exarados no Grande Dicionário da Língua Portuguesa (de José Pedro Machado): poderá ser um estado da Natureza que tem muitos frutos vermelhos (este tempo seria no Verão ou princípio do Outono). O douto Frei Henrique Pinto Rema, da Academia de História, baseado no mesmo léxico, avançou-me com: «<carmeada>, efeito de carmear, de desfazer de nós (...), <carmear>, desenrolar, abrir» e para hipótese de descascar as castanhas e cozê-las (tempo de Outono e de magustos). Eu, inicialmente, associei carmeadas a desfolhadas, por ligação aos «farripos» ou tiras do folhato ao descaroçar-se o milho e as castanhas assadas que se comiam no final, como reza noutra quadra popular. Só qu…

Vídeo sobre Jorge Lage

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Jorge Lage, investigador e escritor
Um curto vídeo que me encheu a alma Quem leva uma árida vida a desbravar e recolher a nossa memória imaterial pouco tempo lhe resta para sonhar. Abraço os projectos e, depois, vou em frente. Haja fome, sede, suor e dor, tudo faz parte da vida. De quando em vez, lá vem o estímulo de um amigo ou leitor generoso e sabe a bálsamo para amenizar as feridas da vida. Os elogios quase sempre me deixam um travo na alma, de atenção, amizade ou generosidade dos que os tecem, mais do que o valor que possam ter. Se os amigos soubessem, como me comovem, quão me enchem a alma nos momentos mais críticos, de dúvida ou desânimo! Se soubessem que o tempo mais difícil e de maior desassossego começa quando digo à tipografia para imprimir os livros e prolonga-se até aos embates com o público nas apresentações! Dificilmente faltariam às apresentações dos livros! Nos projectos em que me meto dificilmente os abandono. O mais duradouro tem sido a …

Festa de Natal da Universidade Sénior de Vila Real, 2019

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Pequeníssimo resumo da festa de Natal da Universidade Sénior de Vila Real, em 20-12-2019.

O Sr. Manuel, tanoeiro

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O Sr. Manuel, tanoeiro de Vilarinho se S. Romão Os pipos em miniatura efetuados de modo artesanal que se apresentam na foto são da autoria do Sr. Manuel Dias da Silva e mostram a evolução, ao longo dos séculos, dos arcos que seguram as estruturas de madeira das pipas e tonéis. O Sr. Manuel, como escrito no artigo anterior, era um profissional exímio como tanoeiro e uma pessoa respeitada e muito conhecida na região, marcando presença em publicações como no livro "Sabrosa - da serra ao rio".  Apesar de idade avançada quando o conheci, o Sr. Manuel mantinha uma vontade extraordinária de explicar tudo o que sabia acerca da sua profissão e dos trabalhos de tanoaria em miniatura que, já na reforma, gostava de realizar. Desde muito cedo, doze anos, O Sr. Manuel iniciou a sua aprendizagem no ofício de tanoeiro. A sua oficina, nos últimos anos da sua vida, fora da azáfama de outros tempos, permanecia mais ou menos silenciosa quando o visitávamos. Concentrado, já um pouco trémulo, es…

Manuel Dias da Silva - tanoeiro

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Na oficina do Sr. Manuel O Sr. Manuel, não estando já entre nós, infelizmente, lançava um primeiro olhar observador aos visitantes da sua oficina. Homem de poucas palavras antes da conversa ir de encontro ao que o entusiasmava: a construção de pipos e a transformação destes em bares rústicos, nichos, objetos decorativos, bancos, mesas, etc. As miniaturas eram outra parte do seu trabalho. Os pequenos pipos e cubas de cinco e dez litros, construídos com madeira de carvalho já avinhada, eram exemplo da sua perfeição e dedicação a uma profissão artesanal. A execução fiel das suas réplicas era para o Sr. Manuel uma constante preocupação e todos os pormenores cuidadosamente estudados de forma que o resultado final mostrasse exatamente o trabalho de origem. Não se limitava ao trabalho manual. Tanto quanto possível, lia, estudava e observava imagens antigas. Só assim conseguia executar com qualidade e transmitir conhecimento como o relacionado com os arcos dos pipos. Houve uma evolução nos a…

Remostar

No fabrico do vinho, remostar A palavra “remostar” não figurará no dicionário. No entanto, “pequenos” ou “grandes” agricultores, talvez os mais antigos conheçam os procedimentos de “bem” fazer vinhos que deram origem àquele vocábulo.
O que significa então “remostar”? Antes de tudo, pela informação recolhida, não é mais que uma pequena trafulhice e, também neste particular, há quem a considere “pequena” ou “grande”; mas seja como for, aconteciam ou ainda acontecem casos em que o vinho do ano anterior, de fraca qualidade e sabor, era adicionado ao mosto, já no lagar, após a primeira ou segunda pisadas, tentando elaborar-se uma mistura – reles bebida – de modo a que a “mijoca” antiga se dissolvesse escondida no mosto novo.
Ora, acontece que a palavra “remostar” continua ainda aplicável, hoje mesmo, talvez não tanto nos vinhos mas certamente em algumas publicações ou mesmo em orçamentos, sejam caseiros ou de estado e parlamentos.

Miradouros

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Miradouro: ponto elevado de onde se avista um largo horizonte
Designa-se por miradouro um ponto elevado de onde se avista um largo horizonte ou uma grande área de paisagem. Facilmente se poderá confundir este significado com a tendência de separar as palavras “mira” e “douro”. A primeira, “mira” do verbo mirar que pode significar simplesmente “olhar, olhar demoradamente, olhar com muito interesse”. Não se retire, contudo, a conclusão precipitada que “miradouro” se traduz apenas em olhar o rio Douro. A palavra “miradouro” poderá substituir-se por “miradoiro” ou “mirante”. Assim, poderá dizer-se que miradouro é o local de onde se olha e, por isso, bem poderia existir a palavra “olhadouro”, não fazendo esta palavra, contudo, parte do dicionário da Língua Portuguesa. Voltamos então à definição de “miradouro” expressa no início deste pequeno texto: ponto elevado de onde se avista um largo horizonte. A palavra usa-se para qualquer ponto de qualquer região e não exclusivamente para a região d…

Evolução da viticultura no Douro

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Os vinhos do Douro
O Vinho do Porto é um vinho com uma história que teve início no século IV d.C. quando os romanos dinamizaram o cultivo da vinha nos terrenos xistosos das encostas do Douro.

Nos últimos trinta e cinco anos muito têm evoluído as técnicas que permitem imprimir aos vinhos do Douro em geral e ao Vinho do Porto em particular excelentes características de superior qualidade. A este propósito, um dos pormenores importantes que convém assinalar é a vigilância constante às uvas na sua fase final de maturação. Entre a última semana de julho e a primeira de agosto, altura do chamado "pintor", isto é, altura em que as uvas começam a mudar de cor, e a sua colheita, após quarenta ou cinquenta dias, observações e análises são efetuadas frequentemente para medir o teor de açúcar, a diminuição dos ácidos e a qualidade dos aromas. Estas análises são executadas segundo técnicas modernas, capazes de informar os produtores para o período exato em que a vindima deve ser efetuada…