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Dormidos (II)

Dormidos
por Jorge Lage


Ingredientes:

12 ovos;
1 litro de leite;
2 copos de azeite virgem (20 cl ou 1/2 quartilho);
Cerca de 2 Kg de farinha-triga;
200 g de fermento de padeiro;
1 Kg de açúcar;
200 g de manteiga;
O sumo e a raspa de 2 laranjas;
Aguardente a gosto.

Preparação:

Amassa-se como o pão, misturando a farinha-triga, o leite, 11 ovos, o azeite, 950 g de açúcar, a manteiga, o fermento de padeiro, o sumo e a raspa das laranjas e aguardente a gosto. A massa dorme toda a noite (daí o nome de dormidos) na masseira ou num alguidar ou tacho. De manhã, parte-se a massa em pequenos pães (do tamanho de bolas pequenas/médias) e tende-se.
Antes de ir ao forno, pincelam-se por cima com ovo e põe-se-lhe açúcar, retirados das quantidades acima.
Vão a cozer em forno com calor médio (cerca de 20 a 25 minutos). Retira-se quando estiver com aspeto corado. Por ser um delicioso bolo seco, pode comer-se em qualquer ocasião seja com café com leite, chá, café, licor ou vinho licoroso, por exemplo.

(Receita, por nós adaptada, de Cândida Maria (Portela e Anjos – apelidos da mãe e pai), de Mirandela (ex-contínua da ex-Agência do Banco de Portugal em Mirandela).

Nota 1: A Cândida e uma simpática vizinha foram-me dando outras informações complementares que gosto de partilhar com os leitores e as leitoras, como se a receita não se esgotasse nas quantidades e lhe déssemos um pouco de alma. Começou por me dizer que é um bolo (espécie de folar doce, que a minha avó Rosa também fazia e eu adorava) muito melindroso. Isto quer dizer que têm de se respeitar bem os tempos de levedação e cozedura. Por exemplo se por altura da Páscoa, quando é mais usual confecioná-los tem que se lhe chegar por perto a braseira ou o aquecedor. No verão leveda mais rápido. Quando a massa na masseira começa a abrir é o sinal de que já está lêveda. Os Dormidos eram o «ramo da madrinha», isto é, a oferta dos afilhados no Domingo de Ramos ou na Páscoa. Daí ser habitual a sua confeção nos Lázaros, Ramos, Páscoa e Pascoela.

Nota 2: Foram-me dizendo que a cozedura tem resultados melhores quando o forno é aquecido com alguns materiais naturais. Porque «a lenha faz muito» pela sua apresentação e cozedura. Os Dormidos cozidos com carqueja ficam mais bonitos. Por isso, a Joaninha, famosa padeira de Mirandela que deu nome a atual «Padaria Joaninha», comprava muita carqueja. Por isso, a minha avó «Zofina» só queria que o meu saudoso irmão Eduardo, em criança, lhe comprasse o pão da Joaninha. Um dia comprou noutra padaria e ela notou imediatamente, embora parecessem iguais. A cândida e a vizinha recordaram-me que há meio século as mães ou as vizinhas mimavam as crianças fazendo-lhe pães em forma de pombas que elas comiam com avidez e ansiavam sempre pela fornada de pão porque com ela vinha um mimo. A minha avó Rosa (nos Eixes) também nos fazia uma pombinha, mas a minha mãe, ficava-se pelo bolo ou então por pequenas bolas-calcadas com que nos deliciávamos.

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