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A mostrar mensagens de Julho, 2020

A Senhora da Ribeira... (provérbios)

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A Senhora da Ribeira é merendeira
A Senhora da Ribeira é merendeira (25 de março). Lua cheia, em março, trovoada, trinta dias é molhada. Eixe de freixo, cantadeiras de giesta, todo o caminho é festa. Enxame de março apanha-o no regaço, o de abril não o deixes ir, o de maio deixai-o fugir. Se o cuco não vier entre março e abril ou é morto ou não quer vir. Aos três encobrirás e aos quatro não poderás.  Em tua casa não tens sardinha, e na dos outros pedes galinha. Sardinha sem pão é comer de ladrão.
Enviado por Jorge Lage

A propósito de A Senhora da Ribeira, mostro esta imagem, de 2015, do lugar da Senhora da Ribeira, pertencente ao concelho de Carrazeda de Ansiães. Este lugar belíssimo está situado na margem direita do rio Douro, quase em frente à Quinta do Vesúvio, na outra margem, muito conhecida sobretudo pela notoriedade de uma das suas primeiras proprietárias, Dona Antónia Adelaide Ferreira, mais conhecida por Ferreirinha, uma importante empresária portuguesa do século XIX que se dedicou ao …

Miolos

Os miolos do jantar dos chouriços, por António Mosca

Do pote onde se cozeram as carnes para as alheiras, retire-se a cabeça do porco, à qual se tinha, previamente, extraído a mioleira. Desosse-se a cabeça, partindo a carne em pequenos pedaços. Parta-se uma regueifa de trigo em fatias finas cortadas, depois, em pedaços pequenos. Desfaça-se a mioleira, em cru, com vinho tinto. Coloque-se a carne da cabeça no pote e ponha-se ao lume apenas com azeite e salsa. Numa frigideira, à parte, aloure-se em azeite, cebola e alho picados miúdo. Junte-se o conteúdo da frigideira no pote e misture-se bem, deixando frigir em lume brando. Uma vez apurado, adicione-se a água de cozer as carnes e o trigo. Mexa-se continuamente, até o pão se desfazer. Rectifique-se de sal, tendo em atenção que a carne já cozeu salgada. Misture-se a mioleira, adicione-se mais um pouco de vinho e deixe-se ferver mais uns minutos. Sirva-se, bem quente, à saída do pote. É um dos pratos emblemáticos do jantar da função dos chouriços e um d…

Fígado de Sarrabulho

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Fígado de Sarrabulho, por António Mosca

Num pote de ferro ponha-se uma folha de louro e azeite bastante, até ficar bem rijento. Prepare-se o fígado do porco, cortando-o em paralelepípedos com cerca de 2cm de espessura e comprimento de 5 a 7 cm. Coloque-se o fígado no pote, adicionando sal q.b. e deixe-se frigir, em lume forte, durante cinco minutos.

Arrede-se o pote do lume forte e ponha-se a abeborar, em lume brando, durante uma hora, adicionando mais azeite, caso necessário. Depois de apurado, raspe-se a passarinha* para dentro, para engrossar o molho e deixe-se ferver mais cinco minutos. Serve-se com batata cozida acabada de escoar.
*Passarinha - Baço
in "Quem me dera naqueles montes"

Ossos da Suã e Grelos

Ossos da Suã e Grelos, por António Mosca
Os ossos da assuã com grelos de nabo
Referi, quando descrevi a desmancha do porco, que à coluna vertebral do dito se retiravam os lombos e se destacavam as costelas, para outras funções. Os ossos da coluna, ainda com bastante carne agarrada, seguiam para a salgadeira no dia da desmancha. É deles que vamos tratar nesta sede. Retirados os ossos da salgadeira, passem-se por água para retirar o excesso de sal, cortem-se de duas em duas vértebras e cozam-se no pote de ferro. Sirvam-se com batata cozida e grelos de nabo temperados com azeite. Depois da refeição – o jantar dos chouriços – os que sobejassem eram desossados para juntar a carne à massa das alheiras.
in "Quem me dera naqueles montes"

Região do Douro

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Paisagem Duriense
Vinho do Porto e paisagem cultural
A paisagem do Douro - região vinhateira do Alto Douro - é uma criação humana concebida pela força das mulheres e dos homens durienses que, durante séculos, moldaram esses montes que circundam o vale do rio Douro. Inúmeros terraços e muros de xisto foram desenhados, construídos sem máquinas, com instrumentos rudimentares manuseados pela energia dos braços de sucessivas gerações de famílias que no Douro sempre permaneceram. Este trabalho de transformação da paisagem duriense e o seu resultado foram, como é do conhecimento geral, os motivos que determinaram para o Alto Douro a classificação de Património da Humanidade pela UNESCO.

O Alto Douro é uma região de características únicas, tendo sido o seu valor reconhecido por aquela organização internacional, contribuindo assim para o desenvolvimento e a implementação de dinâmicas capazes de fazer crescer a região vinhateira do Alto Douro em dois vetores importantes: o vinho e o turismo. Num ca…

Algumas considerações sobre alheiras

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Pequeno excerto de texto sobre a qualidade das alheiras, 
de Jorge Lage
Quem deixa de fazer alheiras porcinas transmite para o público a sua incapacidade em fazer boas alheiras. E as boas alheiras não são as gabarolices de uns ou de outros que as sustentam, mas antes os paladares mais exigentes.

Para termos boas alheiras, deveremos confecioná-las com bons produtos: carnes, trigo e condimentos. Assim, se as empresas de alheiras pensassem em produzir os próprios produtos, em especial as carnes e o pão; se as galinhas fossem criadas com produtos naturais e ao ar livre; se os porcos fossem criados em campo aberto, ou, pelo menos, com os produtos do campo, a qualidade da carne era outra e o paladar de afiar os dentes. Se em vez de banha entrasse só azeite virgem e se o trigo para as alheiras fosse cozido com pouco fermento e de forma mais tradicional e saudável, o fumeiro seria de qualidade muito superior ao normalmente encontrado.

Fumeiro de Vinhais

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Fumeiro de Vinhais: produtos com Indicação Geográfica Protegida

O Fumeiro de Vinhais tem atualmente todos os seus produtos com Protecção Comunitária IGP (Indicação Geográfica Protegida), um reconhecimento das qualidades específicas e tão apreciadas dos enchidos de Vinhais. Esta proteção permite ao consumidor adquirir no mercado estes produtos certificados, com a garantia de genuinidade e qualidade. A carne de porco raça bísara Transmontano DOP é também um produto nacional com Denominação de Origem Protegida pela União Europeia, desde 15 de dezembro de 2007. O porco bísaro é uma raça autóctone criada com uma alimentação à base de produtos naturais, onde se destaca a castanha, que permite a obtenção de uma carne de excelente qualidade, suculenta e saborosa. A qualidade da matéria prima, o saber tradicional de longas gerações e o clima rigoroso da região, distinguem o Fumeiro de Vinhais.

Butelo de Vinhais (IGP)
Enchido fumado, obtido a partir de carne, gordura, ossos e cartilagens, proveniente…

Mais provérbios sobre a castanha

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Ditos e provérbios
Queres castanhas? Larga-as o burro tamanhas! O ouriço abriu, a castanha caiu. Toma lá castanhas para não te montar o burro (diz-se no 1º de Maio). Quem não sabe manhas, não come castanhas. Quando gear, o ouriço vai buscar. Ouriço raro, castanha ao carro. Castanha assada, pouco vale ou nada, a não ser untada. Castanha bichosa, castanha amargosa. Dá-me castanhas, dar-te-ei banhas. No dia de São Martinho, rebusca o teu soutinho.
in Castanea - uma dádiva dos deuses, de Jorge Lage

Pedorido, Castelo de Paiva

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Pedorido, Castelo de Paiva, na margem sul do rio Douro
Pedorido é uma aldeia sede de freguesia das nove que constituem o concelho de Castelo de Paiva, situado no distrito de Aveiro. São cinco, incluindo Pedorido, as freguesias deste concelho que, encostadas à margem sul do rio Douro, usufruem de uma paisagem deslumbrante sobre a "estrada" fluvial que transporta com barcos modernos muitos milhares de turistas desde o Porto e Vila Nova de Gaia até ao Douro Superior, fronteiriço com Espanha. São estes barcos, muitos deles com capacidade hoteleira, que os habitantes destes lugares se habituaram a observar. Não param, vão ansiosos por chegar à bela região do vinho, ao Douro moldado pela força do homem. Antigamente eram os barcos rabelos que nestas paragens aproveitavam, esses sim, para descansarem da atribulada descida por uma caudal muito mais estreito, sem barragens, até ao cais de Gaia onde descarregavam as pipas cheias de tratado (Vinho do Porto) para aí nos grandes armazéns e…

Chouriça doce

Chouriça doce de Vinhais (IGP)
Enchido fumado, constituído por carne magra e carne gorda de porco de raça bísara, ou produto de cruzamento desta raça, sangue de porco, pão regional, mel, nozes, ou amêndoas e azeite de Trás-os-Montes. É cheio em tripa delgada de vaca ou porco. As carnes e gorduras são condimentadas e cozidas em água, as carnes desfiadas são adicionadas ao pão regional, formando uma massa que é finalmente condimentada à qual se adicionam os restantes ingredientes. Deve consumir-se cozido.
Informação recolhida do folheto de divulgação da Feira do Fumeiro de Vinhais

Provérbios sobre a castanha

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Ditos e provérbios sobre castanhas
Em alheio souto, um pau ou outro. Em ano de boas castanhas: agosto a arder e setembro a beber. Do castanho ao cerejo, mal me vejo. Do cerejo ao castanho, bem me amanho. Desde que a castanha estoira, leve o diabo o que ela tem dentro. Com castanhas assadas e sardinhas salgadas, não há ruim vinho. Temporã é a castanha que em agosto arreganha.
in Castanea - uma dádiva dos deuses, de Jorge Lage

Frango com Castanhas

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Frango com Castanhas (de S. Pedro de Castelões)
por Jorge Lage
Ingredientes para quatro pessoas:
1 kg de castanhas (de Castelões); 1 frango; 2 pedaços de trigo; 1 cebola; água e sal (e tempero de estufar). Golpeie as castanhas e coloque-as num tabuleiro no forno a assar. Descasque-as e reserve-as. Estufe o frango com o tempero a gosto, com a cebola às rodelas. Torre o trigo cortado às fatias pequenas. Sirva no prato o frango estufado e as fatias de trigo regadas com o molho do estufado e junte-lhe as castanhas.
Receita do livro «Maria Castanha - Outras Memórias», recolha de Vitória Mendes, no Centro de Dia de S. Pedro de Castelões - Vale de Cambra e adaptada por Jorge Lage Nota: Este prato invulgar, durante décadas, era consumido na Casa da Lomba (casa abastada da freguesia de S. Pedro de Castelões) e hoje foi adoptado por outras famílias, dado ser delicioso e barato. Outrora, no tempo das castanhas, quer estas, quer o frango estavam à mão sem necessidade de gastos de maior. Como diz o povo: «comi…

Contribuidores

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Provérbios

Trás-os-Montes e o Alto Douro são as regiões mais referenciadas e descritas nas páginas deste blogue. Com a participação de alguns colaboradores amigos, têm sido enriquecidas com textos informativos e de opinião, para além de imagens, muitas delas documentos inéditos da história e cultura transmontano-duriense. Verificando que algumas pessoas se interessam por provérbios, rubrica que era mantida em anterior plataforma, volto a essa temática, sempre com a prestimosa ajuda de Jorge Lage, escritor e investigador transmontano que se dedica à reflexão e ao estudo de tudo que se relaciona com as culturas tradicionais, costumes e ditos, como os provérbios que de um modo espontâneo aqui se apresentarão. Provérbios sobre a castanhaSegundo Vasconcelos (1980), na máxima parte dos casos as crenças, os costumes, os provérbios, e outros elementos do viver hodierno são como ecos de eras afastadas: "o que ao presente parece gracioso ou ridículo, foi sério e grave…" Dado serem aforism…

Aldeia bordada de xisto

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Igreja Matriz de Chelas, Mirandela
Chelas, Mirandela – "Aldeia bordada de xisto"
por Jorge Lage

«Aldeia bordada de xisto» foi o epíteto dado pelo Cónego Silvério Pires, pároco de Chelas, do concelho de Mirandela, por ter no casario antigo e arruinado como material mural o belo e nobre xisto.  Apesar de ser uma pequena aldeia, outrora sede de freguesia e famosa pelas «barbas» e pelas «Barcas de Chelas» por onde, até final do século XIX, se escoavam muitos dos produtos agrícolas e pecuários, de toda a lombada ou corda que se estende até ao extremo das Terras de Lomba. Apesar de pequena, a Igreja matriz, dedicada a Santa Maria Madalena, está edificada no sentido poente-nascente. Uma linha imaginária a passar pelo meio da porta principal / campanário e do altar-mor divide-a em duas partes: as Eiras a Norte da Igreja (Nova) e o Carrascal a Sul. Carrascal tem como sinónimo sardoal ou azinhal. Os moradores das Eiras julgavam-se mais importantes do que os do …

As ninfas de Mirandela

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Segunda versão do vídeo gravado em Mirandela, em 15 de março de 2016

Noroeste Transmontano e suas Barragens

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Cávado, Rabagão e Bessa
por Barroso da Fonte
Publicado pela primeira vez, neste blogue, em 01 de março de 2013
São três os principais rios que nascem, fertilizam e refrescam os solos de Barroso: Cávado, Rabagão e Bessa. Todos férteis em truta e outros espécimes piscícolas. O primeiro nasce na Fonte Fria, na vertente sul da Serra do Larouco, (1.525 m).  A Câmara fez, à sua passagem, bem junto à marginal, um parque de lazer, com um reconfortante açude que substitui, para muitos, a praia atlântica e mediterrânica, para além de parque de merendas. Segue o leito que sempre teve até à foz, em Esposende. Mas não chega lá sem ser útil ao país, mais do que a Barroso. Nesse leito foram construídas, há cerca de meio século, a albufeira de Sezelhe que por túnel subterrâneo de cerca de 5 km, leva o reforço de água à Barragem do Alto Rabagão. O caudal que prossegue originou e mantém a barragem de Paradela construída em 1956. Não se esgota aí esse caudal, antes reúne novos riachos que vão encontrar-se …

Pau da Barca

Quando o pau da barca falha…
por Jorge Lage
Outrora não havia tantas pontes como isso no Portugal Interior. A Ponde da Formigosa, sobre o rio Tuela, próxima de Vale de Juncal, só foi iniciada no último quartel do Séc. XIX e terminada em 1913, pelos mestres vindos de Cabanas, da Terra Fria, sendo um deles o avô do mirandelense (de Vale do Juncal) Vítor Cabano. Portanto, a inauguração foi muito posterior à chegada do comboio a Mirandela (1982). O meu pai, nascido em 1906, dizia-me que o escoamento dos produtos agrícolas da corda de Lomba/Vinhais até Cabanelas eram transportados em carretos de bois, por Chelas, atravessando nas famosas Barcas de Chelas para embarcarem, primeiro Douro abaixo e depois no «Comboio do Tua em Mirandela». Muitas vezes, era uma aventura atravessar o Tuela na Barca (de Chelas) quando ia de monte-a-monte. Eram precisos quatro paus ou bareiros bem grossos, com quatro homens dos mais possantes, subindo um pouco com a barca pelo rio acima para depois cortarem as águas …

Poço de Azeite

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Mirandela, «Poço de Azeite»
por Jorge Lage

Mirandela é apelidada de «Poço de Azeite», por ficar entre vales e ser o concelho transmontano que mais azeite produz. O azeite de Mirandela (e de alguns concelhos vizinhos), foi considerado, por dois gurus mundiais, um italiano e outro francês, superior aos azeites franceses e italianos. O melhor azeite transmontano/mirandelense é consequência das características edafoclimáticas em que se produz (bom clima e boa terra), boas castas (verdeal, cordovil, cobrançosa e bical, entre outras) e da sua produção a frio em lagares modernos. Mas, em Mirandela não se produz só o melhor azeite do mundo. Também se fabricam os melhores esmagadores ou moedores de azeitona. Muito do azeite produzido em terras transmontanas e alto-durienses segue para França e Itália, em auto-tanques, e depois embalado como se lá fosse produzido, o que é uma fraude e um logro para os consumidores internacionais. Se visitar Mirandela, lembre-s…

O Bom Azeite

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O bom azeite é sinónimo de saúde e qualidade de vida
por Jorge Lage
A cultura da oliveira, em Portugal, terá sido incrementada (ou introduzida) pelos antigos gregos e cartagineses. Assim, reza a História olivícola lusitana. A bacia hidrográfica do rio Tua foi considerada, durante séculos, terra de óptimo azeite e Mirandela apelidada «Poço do Azeite», principalmente para as gentes serranas da Terra Fria. Há estudos que comprovam que o consumo diário de uma colher de sopa de «azeite virgem» (azeite não adulterado, nem submetido a altas temperaturas para esconder produtos nocivos acrescentados) ajuda a prevenir o cancro da mama. Certo é que há pessoas a consumirem, em jejum, uma colher (de sopa) de azeite diária para manterem uma vida saudável e com mais qualidade. Por isso, muitos rumam a Mirandela, ao longo do ano, onde adquirem o azeite finíssimo do lavrador. No Canadá, qualquer produto orgânico é pago a um bom preço. As pessoas compram muito o que é orgânico e de quinta, como reacção ao…

Seraphim Teixeira Sarmento de Sá

Seraphim Teixeira Sarmento de Sá, homem ilustre de S. Lourenço de Ribapinhão
"Estudos Transmontanos e Durienses II"
Tudo o que de mais importante pode saber-se sobre a freguesia de S. Lourenço de Ribapinhão, à data de 1758, está descrito em documento elaborado com data do dia 3 de março desse mesmo ano, pelo pároco da freguesia de S. Lourenço de Ribapinhão - o senhor padre Seraphim Alvares, reytor da Igreja Matriz de Sam Lourenço. Consta nesse documento o nome Seraphim Teixeira Sarmento de Saa, com toda a certeza ascendente da família Teixeira Sarmento, da Casa do Pinheiro. Seraphim Teixeira Sarmento de Saa, como refere o senhor padre Seraphim Alvares, nasceu em S. Lourenço e aí foi batizado na igreja matriz. Foi soldado, servindo em “guerras passadas” e homem ilustre. Foi governador de Cabo Verde e de “Sam Thomé”, com patente de “capitam geral”.  Recolhido na sua casa de S. Lourenço, aí faleceu e foi enterrado na igreja.
Fonte: "Estudos Transmontanos e Durienses II", e…

Matrafões

Matrafões – receita enviada por Jorge Lage 
Ingredientes:
2,5 a 3 kg de farinha triga; 18 ovos; ½ litro de azeite; 1 kg de açúcar; 1 colher de sopa de bicarbonato de sódio; 1 colher de fermento; 1 copo do vinho de aguardente.
Confecção:
Misturam-se e batem-se os ingredientes (ovos, azeite, açúcar e aguardente) muito bem e por fim adiciona-se a farinha e o fermento. Distribuem-se às colheradas de sopa bem cheias (uma para cada bolo) em formas untadas com azeite e polvilhadas de farinha. 
Pincelam-se com ovos batidos.  Cozer em forno bem quente.
(Receita cedida por Maria Gentil Vaz e «herdada» da família, de Mós – Torre de Moncorvo)
Nota: Estes doces, muito semelhantes aos económicos, faziam-se mais quando surgia uma situação de pressa, pois enquanto que os económicos tinham que “subir” (crescer em bico), o que requereria mais cuidado ao amassar os ingredientes, os matrafões não crescem tanto (ficam mais baixos porque não são polvilhados com açúcar) pelo que requerem menos tempo para a sua elaboração…

Roteiro Arqueológico e Artístico do Concelho de Vila Real

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Capela de Guadalupe
O "Roteiro Arqueológico e Artístico do Concelho de Vila Real" é da autoria de João Parente. De um modo claro, conciso, João Parente apresenta num pequeno livro textos precisos sobre o património arqueológico e artístico do concelho de Vila Real e imagens expressivas desse património, tudo muito bem enquadrado e esquematizado com os mapas respetivos dos lugares e diversos monumentos e seus pormenores, proporcionando o autor uma consulta rápida, numa leitura simples e culturalmente enriquecedora. Do livro "Roteiro Arqueológico e Artístico do Concelho de Vila Real" de João Parente (textos e fotografias) e mapas de Leonor Ribeiro, com produção de Mediana - Sociedade Gestora de Imagem e Comunicação, retirámos um excerto "Capela de Guadalupe" transcrito a seguir:

«É um templo do último quartel de século XV. A circunstância de ter sempre escassez de meios conservou-lhe a beleza e a unidade primitivas. O conjunto é românico. Mas a porta da fachad…

Cais do Douro, em Cinfães

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Porto Antigo e Escamarão
O Cais de Porto Antigo situa-se na freguesia de Oliveira do Douro, concelho de Cinfães, aonde os rios Bestança e Douro se unem num abraço. Aqui podem acostar barcos de turismo de maior ou menor dimensão, existindo também uma plataforma flutuante para cerca de 14 barcos de recreio. Dispõe de um amplo terrapleno ligado à água por uma rampa varadouro destinado a estacionamento, bar, lojas e sanitários. O cais serve ainda de porto de espera de algumas embarcações para a Barragem de Carrapatelo.

O Cais de Escamarão, localiza-se na freguesia de Souselo, concelho de Cinfães, próximo à capela de Nossa Senhora da Natividade. Dispõe de um cais acostável para embarcações turísticas, uma fluvina para 10 barcos de recreio e um terrapleno para estacionamento, bar e sanitários. Daí é visível uma pequena ilhota, designada por "Ilha dos Amores", que apresenta vários vestígios arqueológicos. O cais serviu em tempos de paragem para os Rabelos que percorriam o rio Douro, …

Rosquilhas

Rosquilhas (à antiga), por Jorge Lage
Ingredientes:
1 kg de farinha; ¼ litro de azeite; ¼ litro de leite; ½ kg de açúcar; 6 ovos; 2 colheres de chá de bicarbonato de sódio; 1 cálice de aguardente e 1 colher de sopa de canela em pó. Confecção:
Amassa-se a farinha com os ovos, indo juntando, aos poucos, o bicarbonato, o azeite, o leite, o açúcar, o cálice da aguardente e a canela. Depois de bem amassado e de a massa ficar moldável, retiram-se pequenos pedaços que se enrolam ao comprido e depois fazem-se as rosquilhas (argolas grandes). Fritam-se na sertã, com o azeite bem quente, até ficarem coradas e viram-se e depois de louras retiram-se. Polvilham-se com açúcar e estão prontas a ser servidas. 
Receita fornecida por Irene da Conceição e M.ª Rosa Lage Viegas (ambas de Mirandela) e por nós adaptada.
Nota 1: À falta de azeite pode usar-se margarina ou óleo. Não esquecer que o azeite torna a receita mais original, por este ser um produto de Mirandela, também conhecida pelo «Poço do Azeite».
Nota 2: Se a …

Navegabilidade do rio Douro

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O rio Douro
A navegabilidade do rio Douro permite aos turistas apreciarem uma paisagem ímpar, classificada como Património Mundial. A via navegável do Douro está disponível para as embarcações em toda a sua extensão de 210 quilómetros entre a Foz, no Porto, e Barca d'Alva, junto à fronteira com Espanha.

Ao longo do percurso muitos são os motivos de interesse. Os principais pontos de paragem na região são os cais do Peso da Régua e do Pinhão. Entre os dois destaca-se a barragem de Bagaúste, com uma eclusa de 28 metros, mas para percorrer todo o rio outras barragens serão transpostas através das suas eclusas. Existem hoje outros cais, recentemente construídos, nomeadamente os que acedem diretamente a algumas quintas.

O «Borda» de Cabeda

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João Manuel Gomes «Borda», de Cabeda
por José Ribeiro
O «Borda» era a alcunha de um senhor de Cabeda dos finais do século XIX, princípios do século XX, que tinha um grande carisma, pelo que me contam os mais velhos que ainda o conheceram, carisma que lhe provinha do refinado humor que cultivava nas relações sociais na aldeia.  Não se sabe bem donde teria origem esta alcunha de «Borda», mas este senhor, de seu nome João Manuel Gomes, ainda era parente da minha avó paterna, Jesuína Pereira de Carvalho Gomes de Sousa. Remediado, nunca largava o seu cachimbo e tinha uma boa casa no centro da aldeia. Gostava de se transportar na sua mulinha e ia com frequência para a vizinha povoação, sede da freguesia, Vilar de Maçada, aonde, pelos vistos, teria bons amigos.  A casa do João Gomes, como muitas casas da aldeia, tinha uma ampla varanda aberta que dava para a rua, perto do largo central da povoação, o Largo do Olival. Seu pai, Luís Gomes, tinha por hábito fazer a ma…

O «rapto» da merenda na Senhora da Saúde

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Uma história verdadeira contada por José Ribeiro
Em criança, lembro-me muito bem de ouvir falar na quinta de Fornes, em Cabeda, na margem esquerda do rio Pinhão, e no seu proprietário, o dr. de Fornes, assim era conhecido em S. Lourenço, do concelho de Sabrosa. Vem isto a propósito de uma história verdadeira que me foi enviada, em 7 de maio de 2015, por um dos filhos do saudoso dr. de Fornes, o mais velho, o Engenheiro José Ribeiro, Professor Jubilado na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Aqui, nestas páginas do NetBila’News, deixo contada pelo José Ribeiro a dita história, simples, mas representativa das brincadeiras que eram usadas, em tempos idos, pela rapaziada mais nova, passada no santuário de Nossa Senhora da Saúde, em Saudel, freguesia de S. Lourenço de Ribapinhão.

Saudel, freguesia de S. Lourenço de Ribapinhão
Terreiro da Romaria da Senhora da Saúde Escrito por José Ribeiro O Simão da Eusébia e o «rapto» da merenda na Senhora da Saúde O Simão era outro dos inesq…

O Cachão da Valeira

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Lugar do Cachão da Valeira

Cachão, cachoeira, catarata, são palavras que significam corrente de água que cai de uma altura razoável. Neste lugar do rio Douro chamado Cachão da Valeira era precisamente isso que acontecia até 1780, ano em que se deu início às obras de desobstrução nesse ponto do rio, dando-se por concluídas em 1792. Antes desta data, as pequenas embarcações subiam desde a Foz do Douro, em Vila Nova de Gaia, apenas até esse Cachão que impedia a navegabilidade para montante. Foi precisamente nesse lugar, próximo de S. João da Pesqueira, que o grande estudioso e amigo da região duriense, o Barão de Forrester, de nacionalidade britânica, sucumbiu num inesperado naufrágio em 12 de maio de 1861 quando, juntamente com D. Antónia Ferreirinha, desciam o rio Douro, desde a Quinta do Vesúvio. Existe hoje, a jusante desse ponto, à distância de um quilómetro, a barragem da Valeira com uma albufeira que tem uma extensão de trinta e seis quilómetros. Esta barragem encontra-se em funciona…

Miranda do Douro

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Miranda do Douro: cidade portuguesa do nordeste transmontano
Parque Natural do Douro Internacional

Há vestígios da presença humana, no lugar onde se situa hoje a cidade de Miranda do Douro, desde tempos longínquos. Raízes celtas, árabes e romanas influenciaram certamente o percurso histórico de Miranda do Douro até aos nossos dias. A fundação histórica da antiga vila de Miranda data de 18 de dezembro de 1286 e é hoje parte do importante Parque Natural do Douro Internacional. A Sé Catedral de Miranda do Douro, Igreja de Santa Maria Maior, ergue-se no local de uma antiga Igreja gótica do século XIII, cuja construção se iniciou em 1552, tendo sido consagrada em 1566. Só em 1614 se deu por concluído o seu interior. Associada à História de Miranda, existe a segunda língua oficial da República Portuguesa - o Mirandês -, desde 1998. Está gravada nos painéis de informação e nas placas toponímicas das ruas da cidade. Localizado no Centro Histórico, o Museu da Terra de Miranda, fundado em 1982, inte…

Mona Lisa

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Mona Lisa – La Gioconda, Museu do Louvre, Paris
Reabriu o Museu do Louvre

“Degustada” pelos olhares dos seus visitantes em observações entrecruzadas, Dona Mona Lisa – La Gioconda –, nos anos desgastada e hoje em dia dócil aos smartphones e seus flashs enérgicos, a esposa de Giocondo ali se expõe, de novo, no Museu do Louvre, em Paris, desprovida de formas e saliências modernas, imparcial de atitude. Certamente influenciada pela fortaleza ilimitada de conhecimento do seu génio – Leonardo da Vinci –, misteriosa, esboça simpáticos sorrisos a todos quantos se encontram naquela sala, atentos às vontades de maior proximidade e sobretudo em melhoria de enquadramentos eletrónicos, numa focagem condigna e primorosa que pretendem alcançar. Num certo despropósito, ressaltam disseminados fónicos sinais, descompostos na doidice emaranhada por entre falares e quadros musicais inicialmente confusos, moldados depois e projetados pelo som da Orquestra Filarmónica de Stuttgart, acompanhando do céu cântico…

A beleza das “Poldras”, em S. Lourenço

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As “Poldras”, no rio Pinhão entre S. Lourenço e Vilar de Maçada

Sobre a Natureza, não haverá imagens ou palavras suficientemente expressivas para a descrever, sendo a observação direta a que mais impressionará as sensibilidades dos que verdadeiramente a apreciam e amam. No caso das “Poldras”, no rio Pinhão, lugar da linha divisória entre S. Lourenço de Ribapinhão e Vilar de Maçada, acontece, no meu entender, isso mesmo. Aproveitando a época quente de verão, não há como descer àquele ponto, antes ainda do sol nascer. Junto às águas calmas, a frescura está patente aos sentidos. Para os mais friorentos um casaquinho de malha virá dar algum conforto. De facto, a tranquilidade das águas das Poldras provoca admiráveis sensações de bem-estar, num silêncio apenas interrompido pelos cantares dos passarinhos e das pequenas quedas de água, ordeiramente desviada por escultóricas pedras, amaciadas e arredondas pelo andar dos tempos, as mesmas que servem de poldras*, preciosas ajudas para uma travess…

As "Poldras", em S. Lourenço

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Lugar das "Poldras", em S. Lourenço de Ribapinhão, Sabrosa

Ponte metálica da Régua

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Ponte inaugurada em 1872

A ponte metálica do Peso da Régua, sobre o rio Douro, foi reabilitada em 2012 e encontra-se aberta ao público, sendo permitido o seu uso apenas para passear a pé ou de bicicleta. A ponte foi inaugurada em 1872 e em 1949 foi fechada por causa da degradação da madeira de que era feito o seu tabuleiro. Esta característica e outras foram mantidas, acrescentando-se uma iluminação adequada, realçando, à noite, a sua beleza arquitetónica.

Do Peso da Régua ao Pinhão

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A barragem de Bagaúste

A montante do Peso da Régua, a uma curta distância, encontra-se a barragem de Bagaúste, cuja construção foi finalizada em 1973, uma das barragens do rio Douro a produzir energia e ao mesmo tempo permitindo, com a albufeira, a sua navegabilidade. Da Régua ao Pinhão, a estrada é paralela ao rio e a paisagem é digna de observação, não havendo lugar a distrações se estiver ao comando do automóvel. Com este meio de transporte circula-se pela margem esquerda, até ao Pinhão, avistando-se antes de chegar a esta vila duriense a Quinta das Carvalhas, na imponência de um monte que domina do seu cume uma vasta área da região do Alto Douro. Já por ali subiram, nas suas encostas, os bólides do Rally de Portugal.  Na margem norte, o comboio acompanha o rio numa paisagem de sonho até ao Pocinho. Ao Pinhão chegou o primeiro comboio em 1 de junho de 1880. A sua estação ferroviária mostra nas paredes do edifício os seus vinte e quatro painéis de azulejos a representarem a paisagem e …

Peso da Régua

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A ponte com arcos de ferro

O Peso da Régua é um dos centros da região demarcada do Douro, com uma das estações ferroviárias mais movimentadas do Alto Douro.  Um ponto importante a visitar para quem chegar em passeio à cidade da Régua é a ponte antiga com arcos de ferro, construída em 1872 para substituição das barcaças usadas antes dessa data, que transportavam passageiros e bens entre as duas margens, sendo recentemente restaurada e recuperada como ponte pedonal. De lá se aprecia de perto e do alto, o rio Douro e as suas margens, assim como uma bela panorâmica da cidade da Régua. A ponte de pedra, concluída em 1933, fazia parte de um projeto para levar o Caminho de Ferro a Lamego. Assim não aconteceu, sendo adaptada a rodovia em 1947.

Região Demarcada do Alto Douro

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O vinho tratado e a paisagem duriense

É na vasta Região Demarcada do Alto Douro que se produz o famoso Vinho do Porto, assim conhecido nos quatro cantos do mundo. É do Porto porque daí parte após o seu envelhecimento, mas as suas raízes são do Douro, do Alto Douro Vinhateiro. Este precioso néctar - o vinho tratado ou vinho fino - e os vinhos de mesa, apreciados e reconhecidos internacionalmente com inúmeros prémios, constituem hoje o principal setor económico da região. 

O grande investimento humano na transformação da paisagem do vale do Douro e das suas encostas até aos planaltos circundantes deram origem àquela que é a mais antiga região demarcada, com uma paisagem deslumbrante, jardim verde, de tonalidades exuberantes, numa espontaneidade artística dotada de características únicas, como as luminosas alterações originadas pelas estações do ano em conjugação com as diversas fases de rejuvenescimento das folhas das videiras, o seu crescimento a par dos cachos de uvas, antes do manto mul…

Descida ao Ferrão, Alto Douro

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De S. Martinho ao Ferrão

A vila de S. Martinho de Anta, no concelho de Sabrosa, é um dos lugares a partir dos quais se pode iniciar a descida até à margem direita do rio Douro. Neste caso, o caminho a seguir é a estrada N322-2, passando pelas aldeias de Roalde, Paradela de Guiães, Ordonho e Gouvinhas. Após esta aldeia, os vinhedos adensam-se e evidenciam-se na sua forma e beleza, vislumbrando-se o serpentear do rio Douro.

Uma das quintas que nestes lugares, em volta do Ferrão, se impõe pela sua extensão e beleza é a quinta do Crasto, imponente, sobranceira ao leito do rio, desenhada nesta altura do ano em bardos verdes, e o casario da quinta, sobressaindo de extensas manchas de verdura, resplandece de cores brancas, numa diligência permanente, ou espécie de saudável vaidade dos caseiros que tratam cuidadosamente das vinhas, dos espaços, do vinho e tudo o mais que faz o Douro.

Ferrão, na linha do Douro

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Ferrão, entre a Régua e o Pinhão

Quem viaja na linha ferroviária do Douro, do Porto ao Pocinho, tem a oportunidade de passar no apeadeiro do Ferrão, onde podem os visitantes apear-se do comboio e dali apreciar a lindíssima paisagem duriense, à sombra, debaixo de algumas frondosas árvores. Mas, a não ser que tenham marcado e combinado com uma das quintas que em redor disponibilizam serviços turísticos de alojamento, ou então comprando uma viagem de barco até ao Pinhão ou Régua, sair do Ferrão, por exemplo em direção ao Porto, apenas de comboio poderá fazer-se a viagem de regresso, sendo conveniente acompanharem-se de uma merenda, pois ali mesmo, no Ferrão, não existe qualquer restaurante ou snack-bar.