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A mostrar mensagens de Dezembro, 2020

A freguesia de S. Lourenço

S. Lourenço de Ribapinhão, concelho de Sabrosa Santuário de Nossa Senhora da Saúde, em Saudel, S. Lourenço Até 31 de Dezembro de 1853, a freguesia de S. Lourenço de Ribapinhão estava integrada no concelho de Vilar de Maçada, passando então a fazer parte do concelho de Alijó. A partir de 2 de Outubro de 1855, a freguesia de S. Lourenço passou a integrar o actual concelho de Sabrosa. No lugar do Vale das Gatas desenvolveu-se até ao início dos anos 80 do século XX, intensa actividade mineira, que já vinha dos anos 30 daquele século. A concorrência internacional na exploração e comércio do volfrâmio, sobretudo da parte da República Popular da China, levou ao fecho das minas do Vale das Gatas e ao drama social do desemprego que afectou muitas famílias do concelho, designadamente das freguesias de S. Lourenço e Souto Maior. A freguesia de S. Lourenço, constituída pelos lugares da Arcã, Delegada, Paredes, Saudel, S. Lourenço de Riba Pinhão, Vale das Gatas e Vilar de Celas, é uma das mais rica

Capela de Nossa Senhora da Saúde

Capela de Nossa Senhora da Saúde, Saudel, S. Lourenço Capela de Nossa Senhora da Saúde, na atualidade Memórias Paroquiais de 1721 "Nesta Capela (de Nossa Senhora da Saúde) foi erigida de antigo tempo uma Irmandade de Nossa Senhora da Saúde, orago da mesma Capela, que vulgarmente se chama de Nossa Senhora de Saudel, dando-lhe o nome do lugar, a qual tem seus estatutos confirmados pelo ordinário, e jubileu por bula apostólica, tem ao presente 400 irmãos. Costuma festejar-se a 8 de Setembro (sic), dia em que a ela concorre um grande número de gente desde a véspera até ao sol posto do dia; e pelo decurso do ano é muito frequentada de romagens, principalmente de doentes, porque junto desta capela está uma fonte de cantaria, com seu tanque, em que discorrem dois canos de água em quantidade em que se tomam banhos, e sara muita gente de sezões, e outros achaques que se reputam já incuráveis, para cujo remédio é muito frequentada, e tem particular virtude para meninos enfermos de ar; e na

S. Lourenço de Riba Pinhão

S. Lourenço de Riba Pinhão (S. Lourenço de Riba Pinhom)  S. Lourenço de Ribapinhão Ao couto de S. Lourenço foi doada Torre do Pinhão, sendo confirmado, em 1223, o foral desta última, por D. Mendo, abade de Pombeiro. Em 1258, compunham a freguesia de S. Lourenço de Riba Pinhão (S. Lourenço de Riba Pinhom) Fondões, Justes, Revordeiro, Sanfins, S. Lourenço, Souto Maior, Telhado e Torre do Pinhão. Em 1288, 1301, 1303 e 1307, à freguesia de Riba Pinhão (S. Lourenço), pertenciam as povoações de Beladafes, Ceides, Gache, Maceeira, Pinhão Cel, Revordeiro, Santiago, S. Lourenço, Saudel, Souto Escarão, Vilar de Celas e Vilela. Memórias Paroquiais de 1721 A igreja da freguesia de S. Lourenço é do padroado da mitra primaz de Braga, que apresenta com título de vigário, o qual tem a regalia de apresentar três igrejas, com o título de vigário que lhe ficam viz

A história de duas árvores

"Duas Árvores": uma linda história em que duas árvores são as protagonistas. Uma história da autoria de Salvador Parente, no seu livro "Rudes Penedias - Paisagem Trasmontana!

SABROSA da Pré-História à Actualidade

SABROSA da Pré-História à Actualidade Monografia da autoria de A. M. Rocha Soares SABROSA da Pré-História à Actualidade - Monografia da autoria de A. M. Rocha Soares Tive já a oportunidade de referir o nome António Manuel da Rocha Soares , autor da monografia "SABROSA da Pré-História à Actualidade". Tomo a liberdade de transcrever para este blogue o pequeno texto introdutório do autor, inserto no livro da monografia, assim como a imagem de capa da publicação, cuja edição foi da responsabilidade do Município de Sabrosa, no ano de 2006. “O concelho de Sabrosa merece uma monografia e ao aceitar este desafio, por amor à terra, que me viu nascer, quis, também, ser merecedor da confiança, que em mim depositaram os que, desde o início, me apoiaram das mais variadas formas. O presente trabalho, sem nunca pretender esgotar

O gato

Brincadeiras daquele gato

Mirandelês

Mirandelês Um livro de quatro transmontanos por Barroso da Fonte Foto dos quatro transmontanos inserida no "Mirandelês" Somos agradavelmente surpreendidos com um volume de 300 páginas, cheias como um ovo, de palavras, expressões e seus significados locais, pois nem sempre essas mesmas expressões ou palavras têm, em Mirandela, a simbologia que lhes dão noutras terras. É esta diferenciação lexical que distingue esta obra de quatro autores Transmontanos da mesma geração. Não é um livro espalhafatoso, nem destinado à obtenção de graus académicos ou honrarias encomiásticas. Terá nascido num ambiente descontraído, à imagem de quem troca uns momentos de sueca, por algo mais telúrico e mais genuíno. Deram as mãos, distribuíram tarefas, puseram-se a caminho e

O presépio, decorações e músicas de Natal (2)

Criação de ambientes e decorações para o Natal, sendo o presépio o elemento mais importante: este vídeo retrata um conjunto de espaços interiores, embelezados para a época festiva do Natal, com elementos simples, mas sugestivos, e a companhia de musicalidades natalícias inspiradoras, para dezoito minutos de descontração! O presépio, decorações e músicas de Natal

O “Mirandelês”

Dicionário de expressões populares da região de Mirandela Edição do Município de Mirandela Em três artigos editados ultimamente neste blogue, deu-se conta de algumas expressões populares, segundo o “Mirandelês”, resultado da pesquisa e recolha levada a efeito por diversos lugares do concelho de Mirandela, por Jorge Golias, Jorge Lage, João Rocha e Hélder Rodrigues – autores do dicionário de expressões populares. Neste “Mirandelês”, como refere Jorge Golias no prefácio, pretendeu-se reunir as palavras e os ditos populares da região de Mirandela, urbana e rural, sobretudo da primeira metade do século XX, não se finando por aqui o objetivo desta obra. Outras versões deverão surgir, completando e corrigindo a atual. Expressões populares, segundo o Mirandelês Expressões Populares, segundo o Mirandelês (2) Expressões Populares, segundo o Mirandelês (3)

O presépio, decorações e músicas de Natal

Criação de ambientes e decorações para o Natal, sendo o presépio o elemento mais importante: este vídeo retrata um conjunto de espaços interiores, embelezados para a época festiva do Natal, com elementos simples, mas sugestivos, e a companhia de musicalidades natalícias inspiradoras, para meia hora descontraída de relaxamento! O presépio, decorações e músicas de Natal (2)

António e João

António e João (provérbios) por Jorge Lage Entre António e João, semeia o teu feijão. Quem em junho não descansa, enche a bolsa e farta a pança. Eu te absolvo e te boto a absolvição, se não tiveres tratos com gente de Moimenta, Rebordelo e Lebução.

O Melhor Pão

A felicidade no melhor pão por Jorge Lage Nem me falem em «padarias de pão quente» A minha Mãe «ensinou-me» a comer de tudo o que se põe na mesa. Não podia haver as palavras, «não gosto». Como benjamim da casa sempre teve muita paciência comigo para evitar usar o lenço de cinco pontas.  Quem andasse sempre a bater nos filhos era criticado por não saber educar e impor o respeito.  Assim hoje, gosto de comer todas as comidas tradicionais e saudáveis das nossas aldeias. Dos alimentos que mais me fascinam é o bom pão trigo e, principalmente, o pão centeio. Parece que as boas farinhas, dos fornos e os enormes pães quentes espalham no ar o seu aroma inconfundível e que me aveludava a alma. Por isso, sou muito exigente com a qualidade do pão que como. Rejeito a maioria do que se produz nas padarias vulgares e nem me falem em «padarias de pão quente». São massas congeladas com conservantes (venenos para o corpo), ainda que os aroma

Padre Ernesto Sales

A propósito do cento-cinquentenário do nascimento do Padre Ernesto Sales por Jorge Lage Padre Ernesto Sales Cento e cinquenta anos do nascimento do Padre Ernesto Augusto Pereira de Sales, nascido acidentalmente no Mogadouro em 1864 e vindo para Mirandela, aos três anos. Ordenado sacerdote em 1887 foi paroquiar Suçães até 1892 e Franco até 1893, passando a ser capelão militar da arma de Engenharia e pároco da Igreja da Graça em Lisboa. Destacou-se como escritor bem documentado e ajudou imenso o Abade Baçal na sua obra monumental. Da sua obra bibliográfica consta:  Notícia Histórica de Nossa Senhora do Amparo de Mirandela (1887); Discurso comemorativo da Batalha do Bussaco (1904); Livro do Soldado para sua educação moral e patriótica (1905); Livro do curso de instrução elementar pa

A economia na região do Alto Douro

Região vinhateira do Alto Douro Douro: Armamar A economia na região do Alto Douro baseia-se na monocultura do vinho, para o que muito contribuem o clima de tipo mediterrânico e o solo de xisto. As produções vinícolas no Alto Douro dificilmente encontram paralelo em qualquer outra parte do mundo, em quantidade e sobretudo em qualidade, e ainda em variedade. Além dos vinhos de mesa, geralmente bem graduados, esta região produz vinhos finos que, aliás, injustamente, em vez de serem designados por vinhos do Douro, são chamados Vinhos do Porto. Porto, a segunda cidade de Portugal que dá o nome a esses vinhos, em virtude do escoamento da exportação ser feito a partir da cidade do Porto. Moscatéis e espumantes são também produzidos, embora em quantidades reduzidas, no Alto Douro. A vinha é assim o elemento predominante na paisagem duriense. Contudo, a bordejar a vinha encontra-se m

Adeus ó Valgouvinhas

Adeus ó Valgouvinhas, Marião por Jorge Lage Vale de Gouvinhas, Mirandela (imagem composta) Adeus ó Valgouvinhas, Marião, Não és bila nem cidade, Marião, Sim, sim, Marião, Não, não, Marião, És um pobo pequenino, Marião, Feito à minha vontade, Marião, Sim, sim, Marião, Não, não, Marião, Hei-de cercar Valgouvinhas, Marião, Com trinta metros de fita, Marião, Sim, sim, Marião, Não, não, Marião, À porta do mou amor, Marião, Hei-de pôr a mais bonita, Marião, Sim, sim, Marião, Não, não, Marião. Os meus olhos não são olhos, Marião, Sem estarem os teus defronte, Marião, Sim, sim, Marião, Não, não, Marião. Parecem dois rios de auga, Marião, Quando vão de monte a monte, Marião, Sim, sim, Marião, Não, não, Marião. Já corri os mares em volta, Marião, Com uma bela branca acesa, Marião, Sim, sim, Marião, Não, não, Marião. Em todo o mar achei auga, Marião, Só em ti perco a firmeza, Marião, Sim, sim, Marião, Não, não, Marião. Ad

Expressões Populares (3)

Expressões Populares, segundo o Mirandelês Enviado por Jorge Lage «M» Macacar – macaquear, troçar. Macacoa – solipanta, mau-humor (deu-lhe a macacoa!). Maçadela – maçadura, pisadura. Macarena – macabra, sinistra. Macarono – boneco feio, cabeçudo, gigantone. Machadinhas – setenta e sete anos, (se passar as machadinhas, pronto estou safa!). Machona – mulher corpulenta, mulher de grande porte, cavalona. Machorra – estéril, baleira, que não procria. Madraço – preguiçoso, mandrião. Madronho – medronho. Magano – malandro, mariola. Mais de quantos – muitos. Mais-a-mais – além do mais, além disso. Mais-que-tudo – pessoa a quem se ama muito (ali vem o meu mais que tudo). Mal-ajambrado – mal amanhado, mal vestido. Malandraige – malandragem, bando de malandros. Malapata – pouca sorte, má sina, infelicidade. Malápia – maçã pequena e brava que amadurece pelo S. João (Ribeiro 1941, DT) - maçã temporã muito apreciada. Malato – carneiro novo com um ou dois anos, maior do que o borrego. Mal-dos-

Expressões Populares (2)

Expressões Populares, segundo o Mirandelês Enviado por Jorge Lage «H, I, J, L» Habilita-te! – Atreve-te! Arrisca-te! Há-de ir descalço para a cama – há-de ir ao rego. Hás-de-me vir comer à mão! – ainda me hás-de pedir ajuda. Homem velho e mulher nova, ou corno ou cova – crítica popular ao velho que escolhe uma nova. Homes de Sta. Maria (de Émeres), beis de Valpaços e mulheres de Valtelhas, quem os meter em casa torce as orelhas! – Homes pouco trabalhadores e promeiros até andavam de socos e de gravata. Beis que estavam habituados a lavrar os terrenos arenosos ou saibrosos se fossem para terrenos duros não tinham bom desempenho à charrua ou à agrade. Mulheres de Valtelhas por não serem limpas, isto é, preguiceiras para a lida da casa. Íamos aos soitos dos oitros – íamos roubar castanhas. Ir à araba – ir lavrar. Ir à galela – ir apanhar pequenos cachos de uvas. Ir ao rebusco, ir ao gaipêlo, vinha. Ir a toque de caixa – ir à pancada. Ir de arroncho. Ir aos gambozinos – é uma partid

Expressões Populares

Expressões Populares, segundo o Mirandelês Enviado por Jorge Lage «A» A capa e o sarrão nunca pesaram! – O agasalho e a merenda nunca pesaram! À certa confita – A alturas tantas. À côa! – Gritava-se para afugentar o lobo ou alcateia! À cuca – À espreita. À drede – Adrede. De propósito. Por mangação. A fazer comida para pobres e a vender aves de bico, nunca ninguém ficou rico – Em negócios de migalhas não se conseguem milhões. A filha casada ao pé da porta é pior que a cabra na horta – Tenta levar da casa dos pais para a sua casa, tudo o que pode. À frente que atrás vem gente! – Vamos embora. Segue o teu caminho! À galinha que canta como o galo corta-lhe o gargalo – Onde há galos não cantam galinhas! A mulher e a pescada, querem-se da mais lascada – A uma mulher bonita e bem feita chamava-se “uma lasca”. A ingrampar – A enganar. A jurdir – A fazer. A urdir. A tramar. A tua ferramenta é como a do Troca, quando não corta, desnoca! – Isto dizia o Arnaldo Falcão de (Chelas) ao Alfredo Chovi

Não gosto do pai natal

Não gosto do pai natal...  por João de Deus Rodrigues Não gosto do pai natal... (um quase poema) Não gosto do pai natal. Ponto final.  Mas não gosto do pai natal, Por ele ser um cavalheiro barrigudo, De barbas brancas, com um saco encarnado ao ombro, Onde finge que leva brinquedos para dar às crianças. Com aquele seu ar bonacheirão, E o seu hou!…, hou!…, hou!… Quando vem no trenó, puxado por renas mansas, A escorregar na neve até parar em frente De um supermercado, apinhado de gente, Com uma campainha na mão, A acenar para crianças inocentes, Com um olho nos pais, babados e contentes, Convidando-os a entrar para comprarem uma pistola Ao rebento, com ar de mariola, ou um carro de combate, Que trepa pelas paredes, aos tiros, e não há quem o mate… Não. Não é por isso que eu não gosto do pai natal. É sim, por que vejo nele o produto acabado De uma sociedade consumista, tal e qual. Uma sociedade que foi capaz de fazer esquecer o Presépio, E o

Quadras populares a S. Gonçalo de Amarante

Quadras populares a S. Gonçalo de Amarante in «Aveiro do Vouga ao Buçaco» Enviado por Jorge Lage (…) Foguetes em S. Gonçalo Há festa na beira-mar! As velhas cantam de galo… Nunca é tarde p’ra casar! (…) S. Gonçalo, meu Santinho, Como tu não há nenhum! Arranja-me um maridinho Para quebrar o jejum… (…) Meu santinho, desespero, Repara na minha idade! Por favor, eu também quero O que quer a mocidade (Amadeu de Sousa – poeta popular) (…) S. Gonçalo de Amarante, Casamenteiro das velhas, Por que não casais as novas? Que mal vos fizeram elas? (…) Hás-de saltar as fogueiras À noite no arraial, Dançar com velhas gaiteiras Uma dança divinal. (João Gaspar) Quadras populares a S. Gonçalo de Amarante in «Aveiro do Vouga ao Buçaco», de Amaro Neves e outros. As festas e romarias fazem parte das festas cíclicas anuais e são precisas para a alma do povo como de pão para a boca. O povo tem remédio para tudo na Bíblia e nas tradições e saberes orais. Há santos, rezas, mezinhas e produtos do campo para tod

Ninhos de Rola

À procura de ninhos por Jorge Lage Corria a década de cinquenta, na pacata aldeia de Chelas (concelho de Mirandela) e pelas segadas uma das ocupações dos ganapos era a procura de ninhos. Como as terras andavam cultivadas as rolas refinavam o seu instinto de sobrevivência e faziam os seus simplórios ninhos em árvores inacessíveis. Saber ninhos de rola era uma tarefa que, após terminarmos as aulas, nos ocupava dias e dias, com os estômagos vazios e as calças e camisas esgarnachadas, percorríamos o termo até ao garrancho apatanando ali, comendo-se umas azedas ou umas conachas acolá ou umas manápulas de tagolhete. Ao regressar a casa esperava-me a minha mãe de vergasta ou laços (cordas) em punho dando-me uma sarona e dizendo:  – É para te ficar o dia na lembrança!  Na primeira oportunidade, e quando me inculcavam um ninho lá ia eu, sobe sobreiro, desce sobreiro e nada. Nada, não! Muitas vezes, subia-se aos sobreiros despido para não rasgar a camisa, porque os rasgões do peito e da barriga

Uma lenda do rio Sabor

Uma lenda do rio Sabor que o meu avô me contou por João de Deus Rodrigues É uma felicidade ter avós! E ela é ainda maior quando se passa a infância com eles, a ouvir-lhes contar lendas e histórias. Vem isto a propósito do meu último livro, “Homenagem ao Rio Sabor”, que me trouxe à memória uma Lenda sobre o Rio Sabor que o meu avô me contava na horta de Salgueiros, sentados ao luar a ouvir cair os últimos pingos de água da nora. Era assim: «Uma jovem, muito formosa, chamada Florbela, pastoreava as ovelhas junto a um moinho onde vivia um rapaz da sua idade, órfão de pai e mãe, chamado Benjamim, que era moleiro. Os pais dele tinham-se afogado numa noite de temporal, quando caíram ao rio, tinha ele dezassete anos. Um belo dia meteu conversa com ela e perguntou-lhe o nome. Ela disse-lhe que se chamava Florbela. Ele sorriu e disse-lhe que só lhe ia chamar “Bela”, por ser tão bonita... Mas ela também lhe perguntou o nome a ele, e ele disse-lhe que se chamava Benjamim. A partir daí passaram a

As Desfolhadas

Desfolhadas: espiga vermelha, "milho -rei" por Costa Pereira Espigueiro As desfolhadas são a par das vindimas, das sementeiras, das malhadas e das ceifas uma das actividades que mais impacto e alegria despertam na população rural. Nesta participada tarefa, os intervenientes cantam, contam histórias e voluntariosamente dão a sua desinteressada colaboração, quando muito, apenas à espera de serem recompensados com uma "pinga" ou então pela ânsia de festejarem o aparecimento de uma espiga vermelha, "milho -rei" ou mesmo duma serapintada "rainha", acontecimento que não sendo rezado se celebra sempre com o tradicional abraço da pessoa que teve a dita de encontrar a espiga da sorte... Precedida do corte e transporte das canas do milho para junto do improvisado desfolhadoiro, a desfolhada consiste em retirar as espigas do "cosco" ou folhelho, depositando-as em seguida nos cestos, que uma vez atulhados são despejados no palheiro ou no espigueiro

A lenda da aldeia de Morais

Morais, Macedo de Cavaleiros, aldeia medieval por João de Deus Rodrigues Morais, Macedo de Cavaleiros, é uma aldeia medieval anterior à nacionalidade. Diz-nos o Abade de Baçal nas suas “Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança – Tomo VI, pág 328”, o seguinte: «Gonçalo Rodrigues de Morais é o primeiro que acho em esta cidade e povoou o lugar de Morais, a que deu o nome...». Isto, aconteceu no ano de 1119 e, sendo assim, o lugar já existia. Aliás, o Pinho Leal, no “Portugal Antigo e Moderno”, confirma-o. Mas Morais também foi Comendador das Ordens Militares do Templo, de Malta e de Cristo. Numa Monografia de Balsamão, de 1859, encontra-se a seguinte passagem: “Em a freguesia de Morais, tiveram as Ordens do Templo e de Malta uma herdade que lhe foi deixada por D. Frolbe e Martim Pires, no reinado do Senhor D. Affonso II, como se achou pelas inquirições de El Rei D. Affonso III em o julgado de Lamas de Orelhão, a 18 de Novembro de 1258”. Penso que essa propriedade se situar

A Cozida

A véspera e o dia da "cozida" são de canseira por Costa Pereira A véspera e o dia da "cozida" são de canseira. Depois do moleiro ter acertado a data da entrega da "fornada", alguém é incumbido de a ir buscar. É uma missão que normalmente desempenha quem tem força e pernas desengonçadas, um pouco à semelhança do que sucede com os responsáveis por acarretar a lenha destinada ao aquecimento da água para a amassadura e do forno onde a "cozida" tem o seu epílogo. Menos exigente é a tarefa confiada aos "raparigos" mais tenros, que se resume a terem de percorrer os caminhos e as cortes da aldeia, de cesto e "sacholo" na mão, em busca de bosta fresca, e quanto mais dura melhor, que depois de misturada com cinza vai servir para fixar a porta do forno evitando a saída do calor durante a cozedura. Aprontada a masseira, vai a peneira entrar em acção. Para separar a farinha do farelo (este destinado à alimentação do "reco" e das

As Heranças Judaicas em Trás-os-Montes

Heranças Judaicas em Trás-os-Montes Práticas e vestígios por Barroso da Fonte "Trás-os-Montes" - Óleo sobre tela, de Amélia Raio Sempre curioso em conhecer o passado de Trás-os-Montes e Alto Douro, Província pobre e sempre maltratada pelos poderes públicos, como ainda hoje acontece, voltei as minhas leituras para os povos que nos antecederam e que por aqui deixaram práticas e vestígios que seguimos sem sabermos como. Maria José Ferro Tavares, doutorou-se na Universidade Nova de Lisboa e foi vice-reitora da Universidade Aberta. Publicou, em 1970, um livro sobre os Judeus em Portugal no Século XIV. Em 2010, o Clube do Colecionador dos Correios publicou dela «as Judiarias de Portugal», com uma edição numerada e autenticada, pelo editor, com uma tiragem de 6 mil exemplares, contendo os selos das emissões filatélicas das obras A Herança Judaica em Portugal (2004) e as Judiarias de Portugal (2010). Coube-me adquirir o exemplar 4886. Esta autora que conheci pessoalmente quando, nos

A Ceia Abençoada

Ceia abençoada: reviver de memórias e tradições por Jorge Lage Foi num dos primeiros anos da segunda metade da década de setenta e, apesar das más estradas nacionais, todos os anos, na época natalícia, voltava à casa paterna. A candeia a petróleo já tinha sido posta na pilheira, de adorno, a palha tinha deixado o piso das ruas, e embora a minha alma continuasse a aspirar o calor e o aconchego da casa paterna e o crepitar do lume na lareira me embebedasse a memória da meninice, as panelas (potes de ferro e de três pés) ao lume eram as mesmas e os bancos mochos quase paravam o tempo. Depois de um dia de viagem e vencidas as curvas das montanhas do Alvão e da Padrela o que vinha mesmo a calhar era a ceia em família. A minha mãe costumava dizer que se comia o que a casa dava. E a casa dava para as noites de inverno um grande esqueiro de lenha para aquecer tudo e todos, o pão do forno, as batatas, com as couves tronchudas e o azeite cheiroso até à medula dos ossos. Esquecia-me do fumeiro, d