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Sinonímia, toponímia e outros conceitos

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Diz Jorge Lage:
- Não é fácil investigar sobre sinonímia, toponímia e outros conceitos
«Quem me dera cá o Verão, O tempo das carmiadas! Queria dar ao meu amor Quatro castanhas piladas.»
Nesta quadra do cancioneiro da castanha, destaco a palavra «carmiadas» que tem diversos significados exarados no Grande Dicionário da Língua Portuguesa (de José Pedro Machado): poderá ser um estado da Natureza que tem muitos frutos vermelhos (este tempo seria no Verão ou princípio do Outono). O douto Frei Henrique Pinto Rema, da Academia de História, baseado no mesmo léxico, avançou-me com: «<carmeada>, efeito de carmear, de desfazer de nós (...), <carmear>, desenrolar, abrir» e para hipótese de descascar as castanhas e cozê-las (tempo de Outono e de magustos). Eu, inicialmente, associei carmeadas a desfolhadas, por ligação aos «farripos» ou tiras do folhato ao descaroçar-se o milho e as castanhas assadas que se comiam no final, como reza noutra quadra popular. Só qu…

Castanhas estufadas

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Castanhas estufadas, por  José Posada
Para 4 pessoas:
750 g de castanhas; 30 g de manteiga; 100 g de bacon; 6 cebolas pequenas; 35 cl de caldo ou água; 200 g de cogumelos; 100 g de azeitonas verdes, ramo de ervas aromáticas, sal e pimenta.
Corte o bacon aos cubinhos e descasque a cebola. Numa caçarola, derreta a manteiga e aloure as cebolas e o bacon. Quando estiverem douradas, junte o caldo ou a água, incorpore as castanhas, mexa e tempere. Juntar, por fim, as ervas aromáticas, tapando a caçarola e deixe cozer durante 45 minutos, em lume brando.
Limpe os cogumelos, laminá-los e, passados cerca de 45 minutos de cozerem as castanhas, adicione-os, bem como às azeitonas, e deixe cozer durante 30 minutos, em lume muito brando. Sirva ainda fervente.

 (Receita cedida por José Posada - Marron Glacé SL. - San Cibrao das Vinhas - Ourense)
 in "Castanea - uma dádiva dos deuses", de Jorge Lage

Douro: vila do Pinhão

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Lugares do Alto Douro
O Pinhão é um dos lugares belíssimos para contemplar, principalmente a sua paisagem, a área pedonal mesmo junto ao rio Douro e o seu cais, ponto de encontro com os barcos turísticos que ali aportam. Na estação ferroviária, é importante o conjunto de painéis de azulejos que decoram as paredes do edifício,  pintados por métodos tradicionais, pela Aleluia Cerâmicas, de Aveiro, retratando muito bem os usos e costumes antigos das gentes durienses, que souberam trabalhar, arquitetar e moldar as encostas do vale do Douro, de tal modo a ser hoje reconhecida esta região vinhateira como Património da Humanidade, na categoria de paisagem cultural.

Outros lugares do Alto Douro são igualmente belos, dignos de serem visitados. Toda a região, com as encostas cobertas de vinhas cuidadosamente tratadas formam um verdadeiro jardim, enriquecido pelo traçado do rio.

Vinho fino, tratado ou vinho do Porto

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Sobre o vinho do Porto, o vinho mais famoso de Portugal
Sobre o vinho do Porto, o vinho mais famoso de Portugal, parece-me existir desde sempre, por parte dos agricultores mais modestos, talvez, e daqueles que gostam de defender as raízes culturais da região do Alto Douro, uma certa contrariedade no que respeita à designação do vinho generoso que se produz, de facto, na região vinhateira do Alto Douro.  A maior parte do vinho colhido no Douro é verdadeiramente envelhecido nas caves de Vila Nova de Gaia, junto ao Porto, sendo aproveitado o nome desta cidade para referir o tão famoso vinho. Razões haverá, além das que se mostram evidentes, para a escolha da expressão “vinho do Porto”, que os historiadores conhecerão melhor do que ninguém, não se pretendendo de modo nenhum com este pequeno artigo dar ênfase a esta realidade, incongruente para alguns, normal para outros.

Vinho fino ou vinho tratado são as expressões que os mais tradicionalistas gostariam de associar ao vinho generoso que nas…

Cozido de Vagens

Cozido de vagens secas, por António Mosca
Os ingredientes que se utilizavam para este cozido variavam conforme a época do ano, uma vez que nunca se utilizava carne fresca e a curada ia sendo consumida antes de rançar.
Tradicionalmente usava-se: 
Chouriço de pão Linguiça Bocheira Chouriça de sangue Bico e focinho de porco curados Carne de porco entremeada curada Batatas Vagens secas
O bico, o focinho de porco e a carne entremeada ficavam de molho umas horas para perderem o sabor a fumo. Eram depois limpos e bem removidos os pêlos, indo a cozer à parte. Os enchidos, depois de lavados em água bem quente, coziam-se em pote à parte. Uma vez cozidos, passavam para o pote de cozer as carnes, já retirado do lume, para não esfriarem. Na água de cozer os enchidos punham-se a cozer as vagens, demolhadas desde a véspera. À parte coziam-se as batatas que se punham a ferver quando as vagens estivessem quase cozidas. Partiam-se as carnes e os enchidos para uma travessa e noutra colocavam-se as vagens e as batatas.…

Alhada de Cação

Alhada de cação com creme de castanhas
350 g de castanhas; 700/800 g de cação; 2 colheres de sopa de farinha; 3 ou 4 dentes de alho; 2 dl de azeite; 0,5 l de água e pão cortado aos cubinhos; 1 folha de louro, 1 raminho de coentros, sal e pimenta, q.b.
Fritam-se os alhos no azeite, junta-se o louro, a pimenta e o pimentão. Logo de seguida, juntam-se a água e as castanhas, previamente passadas, com um pouco de água, deixando-se ferver durante 5 minutos. Adiciona-se o cação e deixa-se cozer. Serve-se com pão previamente frito e enfeita-se com coentros.
(Receita da Casa de Pasto "O Castanheiro" e cedida pelo municipio de Marvão, in "Marvão com castanhas")
in "Castanea - uma dádiva dos deuses", de Jorge Lage

Pinhão, um dos lugares centrais do Alto Douro

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Região Vinhateira do Alto Douro