O largo do sr. Albertim (VI)NetBila'News Avançar para o conteúdo principal

O largo do sr. Albertim (VI)

O barbeiro

A lembrança neste momento não chega para precisar as vezes que o barbeiro vinha a S. Lourenço, ao largo do sr. Albertim, desfazer umas barbas e cortar uns cabelos – a barba com navalha, a navalha de barba que nos dias de hoje não se usará muito e o cabelo com a tesoura de barbeiro. Mas para dar uns retoques de acabamento, principalmente na parte superior do pescoço, o sr. Jerónimo, assim se chamava o barbeiro, pegava na sua máquina muito parecida à que se observa na imagem e acertava o pêlo, isto é, aplainava e harmonizava o cabelo.
Era quase um martírio ter de levar com aquele aparelho. Talvez por falta de afinação ou lâminas mal afiadas, o diabo da máquina puxava não só os cabelos como gretava a própria pele, tudo isto evidentemente curado e amaciado no final com álcool etílico que, enquanto não secasse, ardia como a árvore do diabo. Tudo isto por bem, claro.
Talvez o barbeiro chegasse a S. Lourenço de dois em dois ou três em três meses. Vinha a pé, de Parada do Pinhão, ao sábado, com a sua maleta numa das mãos – uma maleta de madeira com fecho metálico onde trazia os instrumentos e os materiais necessários para um perfeito corte de cabelo e desfazimento da barba.
O sr. Jerónimo só não transportava consigo a poltrona de cabeleireiro, sendo esta substituída por um banco emprestado pelo sr. Albertim – este mesmo da foto que mostramos, agora rusticamente pintado, terá servido para esse efeito.
Em dada altura, respeitosamente, alguém se dirigiu e solicitou a um dos clientes, já curvado pela idade, que entretanto se sentara no banco:
– Oh sr. beltrano…! Deixe ir primeiro o meu filho que ainda tem de ir estudar.
– Olha a porra, eu também inda tenho qu’ir estudar…!
Em dias quentes, o largo servia assim de barbearia, procurando-se uma sombra e quando o inverno não o permitia, o sr. Jerónimo prestava os seus serviços na entrada do armazém contíguo ao estabelecimento do sr. Albertim.

O largo do sr. Albertim (VII)

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