O largo do sr. Albertim (VII)NetBila'News Avançar para o conteúdo principal

O largo do sr. Albertim (VII)

As couves da Portela a caminho da feira de Vilar de Maçada

– Oh senhor! Oh senhor!, desapertou-se o “bencelho”, ajude-me, se faz favor.
“Bencelho”, melhor, vencelho ou vencilho – atilho de palha de centeio com que eram apertadas aos molhos as couves que foram semeadas por alturas do Santo António, em junho, portanto, e colhidas ainda num estado prematuro de desenvolvimento para serem depois vendidas e plantadas. Sim, as couves tronchas comidas no Natal passavam a sua história e faziam o seu percurso! Vinham da Portela, lugar da freguesia de Folhadela, concelho de Vila Real e chegavam ao largo do sr. Albertim, em S. Lourenço, logo a seguir à festa de Nossa Senhora da Saúde.
Juntos com os donos, vários burros ou burras já cansados da viagem e carregados de couves aos molhos, apertados com “bencelhos”, arribavam satisfeitos mesmo assim, pois a parte mais difícil da caminhada estava concluída. O conforto para a noite iam encontrá-lo ali, no largo, aproveitando-se o tempo anterior à deita para realizar já algum negócio antes ainda de retomarem a caminhada para a feira de Vilar de Maçada, ao outro dia de madrugada onde, se tudo corresse bem, despachariam o resto das couves – produto do trabalho daquelas famílias que de tão longe se deslocavam.
– Qual o preço?
– O mesmo dos outros anos.
– Oh senhor, dê-me aí um cento.
– Se forem boas e sãs, eu quero dois centos.
– É só plantar e regar e, no Natal, comerá boa couve, tenho a certeza!
Após tantos quilómetros feitos a pé, ali passavam a noite aqueles pequenos e humildes lavradores da Portela, a caminho da feira de Vilar de Maçada para onde se dirigiam depois de umas poucas horas de recuperação das forças. A direção era o rio Pinhão, atravessado nas poldras.
Terminada a feira, a tirada de regresso era feita de uma assentada, já sem couves e os burros mais livres.

O largo do sr. Albertim (VIII)

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