Resto das Carnes do Cozido
Do Cozido, sobrou comida para mais duas refeições, transformando-se uma delas
numa bela feijoada, confecionada numa panela antiga de ferro fundido.
Aqui se descreve a confecção deste prato rústico – a feijoada – que,
praticamente, já vinha preparado.
Dentro da panela, couves – muita couve, couve troncha. Depois de lavada
colocou-se dentro panela com água praticamente a ferver, durante umas boas
duas horas, até cozer sobre o ferro de um fogão de lenha.
Noutra panela, igualmente de ferro, faz-se um estrugido de um pouco de azeite
com meia dúzia de dentes de alho.
Descongeladas as carnes durante a noite, inclusivamente do osso da suã que
ainda restou do aperitivo do Cozido, lá vão todas para o estrugido, começando
ali mesmo a despertar ainda mais os sabores, tudo bem mexido com colher de
pau.
Acrescentaram-se também rodelas de cenouras.
Neste entretanto, as carnes bem estaladas, assim como as rodelas de cenoura,
sempre a mexer, acrescentando um pouco de água a ferver.
Como bem se diz por aqui, botam-se pr’a lá as couves, e mais uma mexedela.
Aguenta-se o fogão, lenha pr’á fornalha.
Falta agora o feijão. Feijão vermelho. Deste não há aqui pelos quintais. O que
é certo é que ele, venha lá de que quintal vier, já vem cozido e bem cozido.
Resta agora botar os feijões lá pr’a dentro.
Note-se que um pouco de sal foi acrescentada à couve, pois sal tem o feijão e,
evidentemente, também o tem as carnes do reco e o fumeiro.
Conclusão:
Há mais couve e carne do que feijões!
Neste momento, aguarda-se com paciência, deixando apurar, para que se
misturem os sabores, e tudo atinja um bom nível de sabor e rusticidade.
E está pronto!

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