Falachas, por Jorge Lage

Falachas: o pão mais primitivo de castanha


As Falachas estiveram quase em extinção, não fosse a teimosia de uma ou outra “falacheira”.
Sim, as Falachas seduziram-me e levaram-me a prosseguir a investigação sobre a Castanha, depois de publicar «A Castanha Saberes e Sabores», aparecendo o livro «Castanea uma dádiva dos deuses», com 100 receitas práticas em que entram as Falachas (páginas 251 e 252) de Pesqueira, de Cimo de Vila de Resende. Fiz cerca de 600 km por causa das Falachas.
Porém, notícias deturpadas sobre as Falachas apareceram num ou noutro local e até no meio académico. O livro «Memórias da Maria Castanha» na página 53 e 54 dão uma definição sintética.
Assim, o novo livro «Maria Castanha - Outras Memórias», teve de ir mais longe, dissipando crentes primários de certas receitas gastronómicas e alguns escritos de gente mais conceituada. 
Quando surjam dúvidas não se fiquem pelo que, às vezes, ligeiramente se diz na internet com meias verdades ou até mentiras. Vão às fontes!

Sobre Falachas, a textura da farinha de castanha define a sua qualidade. Se a farinha é moída sobre o grosso, parecem-se mais, em textura, com a broa de Avintes e se a farinha é finíssima como a que se produz em Tendais - Cinfães, as falachas depois de saírem do forno são mais arredondadas e sempre espalmadas.
Se lhe oferecerem uma «falacha» com maus modos ponha-se à defesa.
Por último, sugiro a consulta dos livros aqui citados na Livraria Traga-Mundos, em Vila Real.
Resta acrescentar que a pitada de açúcar que se põe na massa das falachas é para quebrar o amargor resultante de pequenos pedacinhos das camisas das castanhas piladas, que acabam por ser moídos com estas.
No caso das Falachas de Tendais (lugar da Granja) não levam açúcar porque são muito bem piladas e a doçura da castanha é suficiente ao seu bom paladar adocicado.

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