Sobre o azulejo no distrito de Vila Real

"Notas sobre o azulejo no distrito de Vila Real"
de Joaquim Barros Ferreira



(...) Com a construção da linha de caminho de ferro do Douro, o comboio chega ao Pinhão, zona excelente do vinho do Porto. Ora a estação do Pinhão, na confluência do mesmo rio com o Douro, possui variadíssimos painéis de azulejos, um valioso museu dos costumes, transportes (rabelo e carro de bois), belas reproduções de vinhas e socalcos, quintas, aldeias, acompanhadas sempre da majestosa e imponente paisagem transmontana. Embora originada talvez do fim do século XVI, a modalidade de enxadrezado, também conhecida por azulejo de caixilho, vê-se na vila do Pinhão, na série de azul-branco e na estação de Moledo, na de verde e branco.
De corrente posterior, apontam-se o friso de pendentes ao jeito romântico, na Casa da Misericórdia, rua dos Camilos, Régua e, na respectiva capela, onde se nota uma importante transposição de vitrais para os azulejos, no arco de meia volta e falsas impostas. Afigura-se também, integrado no romantismo, um belo pendente de rosas silvestres e miosotis, na avenida Carvalho Araújo. Entre outros, de menor riqueza expressiva, cuja padronagem revela um período de transição para o século XX, os silhares e lambris do Paço do Concelho de Vila Real, inspiram-se nas colchas e bordados, aliás generalizados também em fachadas de casas da cidade. Os da igreja do Senhor Jesus do Calvário que matizam de azul a fachada principal são exemplos de séries diferenciadas.

Do livro "Notas sobre o azulejo no distrito de Vila Real", de Joaquim Barros Ferreira,
Vila Real, 1999

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