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Manuel Dias da Silva - tanoeiro

Na oficina do Sr. Manuel

O Sr. Manuel, não estando já entre nós, infelizmente, lançava um primeiro olhar observador aos visitantes da sua oficina. Homem de poucas palavras antes da conversa ir de encontro ao que o entusiasmava: a construção de pipos e a transformação destes em bares rústicos, nichos, objetos decorativos, bancos, mesas, etc. As miniaturas eram outra parte do seu trabalho. Os pequenos pipos e cubas de cinco e dez litros, construídos com madeira de carvalho já avinhada, eram exemplo da sua perfeição e dedicação a uma profissão artesanal.
A execução fiel das suas réplicas era para o Sr. Manuel uma constante preocupação e todos os pormenores cuidadosamente estudados de forma que o resultado final mostrasse exatamente o trabalho de origem. Não se limitava ao trabalho manual. Tanto quanto possível, lia, estudava e observava imagens antigas. Só assim conseguia executar com qualidade e transmitir conhecimento como o relacionado com os arcos dos pipos.
Houve uma evolução nos arcos que envolvem as aduelas de madeira. Dizia o Sr. Manuel que, inicialmente, os romanos guardavam os vinhos em talhas de barro. Mais tarde, século X, começaram a construir-se as primeiras pipas, mais ou menos com o formato das de hoje, com a diferença de que os arcos eram feitos com a mesma madeira. Já no século XVI, esses arcos passaram a ser construídos a partir de verga (vara delgada e muito flexível) dos rebentos de carvalho bravio. Só mais tarde começou a utilizar-se o arco de ferro, melhor pela sua resistência.
Na sua oficina, em Vilarinho  de S. Romão, concelho de Sabrosa, em janeiro de 2011, mostrou-me o Sr. Manuel três exemplares por ele construídos em miniatura, indicando precisamente aquela evolução.

O Sr. Manuel, tanoeiro

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