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A Dona Vergonha e o sr. Kófende

Vergonha: isto não é lugar para benzedeiros

Andava a Dona Vergonha a passear pelos jardins do palácio, acabrunhada, envergonhada, evidentemente, enquanto sub-repticiamente os sapos desviavam as águas dos melhores lugares para um determinado fosso escondido. A Dona Vergonha bem que sabia do esquema, mas precisada que estava por via da secura sentida nos antros das suas mesurices, mantinha-se calada, por norma estarrecida perante os estranhos factos de todos os dias, decidindo em certa ocasião, finalmente, tomar uma posição por que todos os animais esperavam há imenso tempo. Então, toma o ensejo de subir as escadas exteriores que davam lugar ao andar superior onde, sabia, um senhor muito bem parecido, quase sempre de fatiota elegante sedosamente tecida, andava de cá para lá e de lá para cá, nauseada tez pensativa como se permanentemente contasse o número de mosaicos em mármore, que entoavam a cada passo da distinta personalidade.
O sr. Kófende, vislumbrando a dita Vergonha pelo canto do olho direito, imediatamente cerrou dentes e arregalou fortemente a olhadura, provocando inauditas tremuras nas pernas da envergonhada que, de tanto tremer, ali mesmo se escorregou de águas de benzedura. Por perto, alguns animais empinocados depressa se ofereceram a defender as ditas e que, sim senhor, correspondiam exatamente aos anseios que tinham conjeturado nas reuniões importantes, realizadas mesmo ao lado do fosso encoberto.
Disse o sr. Kófende:
– Tenha vergonha, isto não é lugar para benzedeiros. Faça o favor de se retirar e consigo as águas levar!

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