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Vale das Gatas: o dinheiro do volfrâmio

O trabalho penoso dos mineiros

Gastou-se muito dinheiro, nesse tempo. Algum muito mal gasto porque brotava da terra aos quilos, transformando-se em notas. Da estrada, na altura não alcatroada, feita apenas de terra batida e pedras, a ligar S. Lourenço a Souto Maior, facilmente se retirava uma "negra" com a chave de casa, talvez com um peso de cem a duzentos gramas, dando para qualquer moçoila comprar um vestido novo. Todas essas pedras com um alto grau de pureza em negrume eram "passadas" de um modo ou de outro na candonga, pois essa era uma atividade próspera. O dinheiro era tanto que, muitas vezes, em atitudes de puro exibicionismo se fumava o tabaco enrolado em mortalhas especiais: as notas de banco. Os rapazelhos jogavam à bola com notas amarrotadas e o caldo, fosse de couve troncha com feijões ou de cebola, tinha de ser acompanhado não com pão de milho, mas com pão-de-ló. Ditos que se ouviam e ainda ouvem, de igual modo em outras localidades onde antigamente se explorava o volfrâmio.
Evidentemente que muitas histórias se contam romanceadas e, como se sabe, "quem conta um conto acrescenta um ponto". Há, no entanto, quem afirme como verdadeiros muitos episódios ligados ao esbanjamento de dinheiro angariado com o volfrâmio. Aos mineiros apenas era pago, ou mal pago para o trabalho que efetuavam, o dia a dia, semana a semana, mês a mês, encafuados nas profundezas do subsolo, espreitando filões, martelando, obedecendo às ordens do capataz, homem sem conhecimentos geológicos, mas pela experiência dos anos, conhecedor das galerias construídas, das direções a seguir. Tudo com instrumentos rudimentares e a atenção do gasómetro que todos possuíam como guia de orientação e sinal de alarme quando se apagava, pois evidenciava falta de ar respirável. 
A imagem que retrata uma panorâmica do lugar é mostrada de um modo romântico, carregando-se de uma certa nostalgia na recordação dos tempos de antigamente. O trabalho penoso dos mineiros era acompanhado de grande movimentação de outros trabalhadores e trabalhadoras a desempenharem as suas funções nas oficinas, na separadora, na lavaria. Era grande o movimento de crianças e adolescentes que, de um lado para o outro, davam vida à freguesia e para ela contribuíam economicamente mães e pais.

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