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As rogas nas vindimas do Douro

Da montanha ao Douro: a alegria das rogas 

As vindimas na região do Alto Douro são sempre motivo de festa e alegria. Após um ano de árduos trabalhos pelos íngremes socalcos, e num clima de frio intenso de inverno e calor estival, chegados a setembro, com a colheita das uvas, fruto de um ano de muitas preocupações por causa das contingências da meteorologia e de males diversos que sempre espreitam as videiras, a festa é grande e prolongada. Nas vindimas, todos os dias são recomeços para uma etapa de trabalho e ao mesmo tempo de divertimento.
É diferente de todos os outros, este trabalho de cortar as uvas, em grupo, de as transportar e, à noite, as músicas populares a animarem os lagares que ainda existem nas quintas e nas casas de algumas famílias para fabricar aquele vinho especial e tradicional, pisadas as uvas com pés e pernas.
Nos dias de hoje, com as facilidades de transporte, os trabalhadores deslocam-se rapidamente em carros e camionetas, desde as suas aldeias à região do vinho. Há uns anos, quarenta ou cinquenta, os vindimadores partiam de suas casas e percorriam muitos quilómetros, a pé, até chegarem às Quintas do Douro onde permaneciam dia e noite durante um mês ou mais. Grupos de pessoas – homens, mulheres, jovens – que nesta fase do ano eram chamados em grande número às vindimas, acorriam alegres às Quintas durienses. "Rogas" era a designação dada a esses grupos que percorriam com poucos haveres caminhos e estradas, cantarolando, tocando uma concertina e bombo.
As rogas que presenciei na infância, em S. Lourenço, concelho de Sabrosa, vinham das zonas mais montanhosas da freguesia: Delegada, Arcã, Vilar Celas. S. Lourenço era a primeira paragem para algumas compras nas mercearias do centro da sede da freguesia. Por ali passavam, contentes pelo trabalho que conseguiram, pelo "dinheirinho" que iam ganhar e também porque sair durante trinta dias do pequeno lugar onde viviam era por si só uma felicidade extra. Adquiriam pequenas coisas ou bebiam um "caneco" a acompanhar o farnel que traziam. Felizes, trouxas às costas, bombos e concertinas e o olhar atento do mestre da roga – pessoa responsável, em princípio a mais velha, que dirigia e tomava conta do grupo e reprimia os excessos.
No regresso, pelo mesmo caminho, todas e todos os da roga voltavam com idêntica disposição, desejosos de retornarem às suas casas e às suas famílias. Mais uma vez, a paragem em S. Lourenço, junto às mercearias, era obrigatória. Os elementos do grupo, de cores mais rosadas, exibiam nas suas algibeiras o tilintar dos trocos que traziam; as notas, essas vinham bem escondidas. Os instrumentos musicais tocavam agora uma alegria diferente, marcada pela saudade. Esperavam aquela gente os costumes que interromperam durante um mês, os lameiros, os pastos e os animais... até dali a um ano!
A foto mostra um aspecto do caminho, hoje calcetado, entre as "Lameirinhas" e a "Poeira", por onde desciam as rogas até S. Lourenço.

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