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Encontro no Farol XVI

Finalmente, um beijo!


Mortificada pelas agruras da vida e pelo cansaço dos anos, apoiada na bengala, curvada pelo sofrimento, aquela velhinha consegue manter uma réstia de felicidade luminosa no seu rosto. Sentada num dos bancos da frente da igreja, alta e espaçosa, maior que a igreja da sua aldeia, espera a sua vez para a confissão.
Em meditação permanente, continua com uma memória e lucidez extraordinárias, apesar da idade. Enquanto espera, pensa no Céu e reza pelo marido e pelos seus três filhos que para lá viu partir. Com esforço, olhar inclinado para o alto, absorvida por completo em seus pensamentos, sente a suavidade do toque da mão, amiga, naturalmente, na sua face. Antes ainda de satisfazer a curiosidade, o leve sorriso faz-se-lhe instintivamente. Após um instante, como que petrificada na humidade dos seus olhos, envolve extasiada aquele rosto, tão próximo do seu, de igual modo enrugado pela distância do tempo, que beija, finalmente! 
— Francisquinha...! Deixa-me ver... 88...? Tens 88 anos de idade! Daqui a dois, se Deus quiser, completo eu um século... Como é possível ao fim de tantos anos...?! Desde que foste para a escola pela primeira vez..., lembras-te?

"Encontro no Farol"
por António Fernando Gonçalves Vilela
Prémio Literário do CCRVR - Centro Cultural Regional de Vila Real - 2006

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