Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2019

Encontro no Farol XVI

Imagem
Finalmente, um beijo!
Mortificada pelas agruras da vida e pelo cansaço dos anos, apoiada na bengala, curvada pelo sofrimento, aquela velhinha consegue manter uma réstia de felicidade luminosa no seu rosto. Sentada num dos bancos da frente da igreja, alta e espaçosa, maior que a igreja da sua aldeia, espera a sua vez para a confissão.

Encontro no Farol XV

Imagem
A luz do farol

Parece que o mundo tem, inevitavelmente, uma apetência desencorajadora do que é contrário ao sincero e à sua normalidade e que, o aspecto diplomático, fazendo já parte de um processo, como que natural, serve de coluna vertebral e como suporte para a maioria das decisões determinantes dos caminhos universais do ser humano.

Encontro no Farol XIV

Imagem
A procissão como pretexto
O Manel e aqueles três, lá vão cambaleados, já noite. A procissão continua a ser o pretexto para os desabafos que o vinho origina. Anestesiados, perdem a noção do tempo que passa. Esquecem-se mesmo do tema que discutiram horas a fio. Esgotam-se no choro inebriado desta noite estrelada de fim de Agosto e lamentam-se dos obstáculos da vida. Apesar destes obstáculos, e dos culturais, um raio de luz orientador surge sempre, independentemente das convicções e conceitos religiosos em que cada indivíduo se situa.

Encontro no Farol XIII

Imagem
O Manel da Quinta
O Manel da Quinta, caneca na mão, desunha-se em berros entre a porta e a rua, gritando, espumado:  — Não ajudo ao andor se o raio do padre não passar a procissão pela minha rua. Nem eu nem os rapazes que tenho lá em casa.

Encontro no Farol XII

Imagem
O trajecto da procissão
Os Verões são motivo de esperança para esta gente. Este ano, o padre novo traz consigo ideias também novas. A procissão da festa em honra de Nossa Senhora das Graças que se realiza todos os anos no segundo Domingo do mês de Setembro percorrerá agora uma grande parte das ruas, ao contrário dos anos anteriores em que se ficava pelo adro da igreja.

Encontro no Farol XI

Imagem
Luísa, enérgica como sempre
A hora da refeição aproxima-se e há que escolher o sítio mais escondido do sol abrasador. A sesta é inevitável. No mesmo banco em que se comeram as batatas regadas em bom azeite, pende-se agora a cabeça sobre o peito, reforçando a papada.

Encontro no Farol X

Imagem
Ritual diário
A manhã está a meio e o calor já aperta. As bestas, não lhes basta o carrego em cima, têm que aguentar ainda com as moscas, atraídas pelo encodeado nas virilhas dos animais. Servem-lhes de sossego o ramo de giestas que o moço, descalço, vergasta sem parar. Seguindo o percurso inverso da madrugada, o ritual diário continua, perdura no tempo, trespassando, com os mesmos métodos, diferentes gerações.

Encontro no Farol IX

Imagem
A mina do olmo O Ti João continuava dizendo que a mina existe ali, já há muitos anos, e nunca falhara com a água. A mina do olmo é a grande fonte da terra. Bebe-se dela, dá-se aos animais e regam-se as novidades. Estas palavras são ditas e reditas desde sempre. Servem como farol incitador de coragem e indicador de caminhos trilhados pelos sulcos, veios de transmissão do suor e transportadores de alimento. Os sulcos, apesar de suavizados pelas melhores intenções, actuam como se de placas tectónicas se tratassem, adormecidas às vezes, e por longos períodos de tempo, mas com uma grande capacidade de despertarem nos momentos menos esperados.

Encontro no Farol X - Ritual diário

Encontro no Farol VIII

Imagem
Ti João da Forja
O tempo é lento na aldeia. Este ano o calor começou mais cedo. Nesta época, trabalha-se desde as quatro horas da manhã, pela fresca. Os homens levantam-se e encontram já as mulheres com o farnel pronto.