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A força das caganitas

Desde o despontar daquela manhã enregelada e atormentada que as reuniões no café central nunca mais foram as mesmas e, conforme as vontades do seu dono e da patroa, ainda bem! O tempo prolongava-se demasiado e a sobrinha daqueles que estudou na capital durante longas temporadas fora já passar duas noites ao hospital, à força segundo dizem, das palavras proferidas acerca de teorias centenárias do encurtar do tempo e do espaço desalinhado. 
Noites mal dormidas não traziam nada de bom à reputação do negócio. Além disso, o empreendimento de Chixe tornou-se no assunto mais tagarelado e a novidade refreada traria certamente bons resultados para a vila e a toda a região. 
As notícias espalharam-se pelos montes e até as ovelhas e carneiros transpiravam ares de absoluto otimismo. Ao mesmo tempo, no pensamento de Chixe, talvez pela chuva em barda que caiu, as caganitas multiplicavam-se perante o pasmo dos próprios animais que se deixaram envolver pelo entusiasmo. A erva era de tal maneira abundante que o empreendedor, antevendo as sobras, novas ideias lhe percorriam as veias, inclusivamente a que respeita a adições suscetíveis de incremento ao peso, ao mesmo tempo que o rosmaninho seria em curtas doses adicionado, servindo para o afastamento de odores esquisitos provocados pela matéria-prima principal – a caganita. 
Nanixe, entretanto, mal refeito das angústias mas necessitado de contribuir para o projeto em causa com a plausibilidade de uma ideia sua, chama a atenção para a imperiosidade de um produto que proporcionasse aderência segura entre as caganitas e outras substâncias e desta maneira fossem agrupadas em paletes comprimidas, sendo o seu transporte efetuado de modo seguro e compacto, se não para o estrangeiro, pelo menos para a capital, onde aí, sabia, o negócio resultaria.
Chixe, já meio desconfiado do colega que achava, de há uns tempos a esta parte, um pouco amortecido e desacreditado, alentou-se por via da genialidade do amigo. Antecipado, decidiu então marcar umas tantas reuniões acompanhadas do melhor vinho que lhe prometera o dono do café central e umas boas larocas que a patroa, segundo o marido, faria com esmero.

Necessidade de congelar o produto

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