O Cozido e a Arte do Lume e do Tempo
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| O Cozido |
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Cozido, seja à Portuguesa ou à Barrosã, é como poema levado ao extremo da
paciência, na imaginação do poeta. A essência do cozido reside no ato de
cozer: sem o tempo certo, os sabores das carnes,
salpicões
e
alheiras
não se fundem com os vegetais. Um cozido que não honra o lume é apenas um
conjunto de ingredientes desencontrados.
As vantagens são claras. É uma refeição completa e reconfortante, um
pilar da nossa identidade que promove a partilha e a alegria. A cozedura
lenta permite que as carnes criem uma textura aveludada, enquanto os legumes
absorvem os sabores das carnes.
Nas desvantagens, impera o peso calórico. O excesso de gorduras
saturadas dos enchidos pode ser um desafio para a digestão. É um prato que
exige tempo — tanto para fazer como para processar. No fim, a virtude do
Cozido está na sua honestidade:
"Entrega o que prometes, desde que se respeite a regra de ouro: que seja, de
facto, bem cozido".
E quanto ao sal?
No caso das carnes fumadas e enchidos, o sal é usado como conservante.
Durante a cozedura, esse sal liberta-se na água e passa para os legumes e
batatas. É por isso que uma das opções, não pretendendo de modo nenhum
assinalar como sendo a melhor, num cozido bem feito, com carnes de
qualidade, estas, os enxidos, as couves, e as batatas devem cozer-se
separadamente, sem acrescento de sal. Talvez um pouco nas batatas e nas
couves.
Para harmonizar com a complexidade e a gordura de um Cozido, precisamos de
vinhos que tenham, acima de tudo, acidez (para "limpar" a gordura, do
palato) e estrutura (para não serem abafados pela intensidade das carnes
fumadas).
Aqui estão, talvez, as melhores opções dos vinhos que podem acompanhar o Cozido:
1. Vinho Verde Tinto (Vinhão) - A Escolha Tradicional
É a harmonização mais clássica, especialmente no Minho. A
casta Vinhão
produz vinhos de cor intensa e com uma acidez vibrante. Esta acidez é
perfeita para cortar a untuosidade do porco e dos enchidos, deixando a boca
fresca para a próxima garfada.
2. Tintos do Dão - A Elegância e Equilíbrio
Os vinhos do Dão, muitas vezes baseados na
Touriga Nacional
e Alfrocheiro, são conhecidos pela sua frescura natural e taninos presentes,
mas elegantes. Um Dão com algum estágio em madeira tem a estrutura
necessária para aguentar o peso do salpicão e das carnes barrosãs sem se
tornar pesado.
3. Bairrada (Casta Baga) - O Poder Contra a Gordura
A casta Baga, típica da Bairrada, é famosa pela sua acidez elevada e taninos
firmes. Tal como acontece com o
Leitão da Bairrada, um tinto desta região funciona magnificamente com o Cozido, pois a sua
estrutura "ataca" diretamente as gorduras saturadas, equilibrando o
conjunto.
4. Douro Tinto - A Robustez
Se preferes vinhos mais encorpados e com fruta madura, um Douro (Reserva ou
de Altitude) é uma excelente escolha.
5. E um Branco?
Não abdicando do vinho branco, a escolha poderá ser um Branco de
Curtimenta
(vinho laranja) ou um Branco da Bairrada/Dão com estágio em barrica. Cai bem um branco
com volume, boa acidez e alguma textura tânica, perante a intensidade da
refeição.
Os tintos devem servir-se ligeiramente mais frescos do que o habitual (cerca
de 14-16°C), para que a frescura ajude ainda mais no contraste com a
temperatura elevada do prato.
Com o auxílio de IA - Google Gemini,
Bom apetite!
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