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Vale do Douro, Berço do Vinho do Porto

Douro: Vinho do Porto, Tratado e Fino, Património Mundial

Vale do Douro, Berço do Vinho do Porto

O Alto Douro é uma das mais importantes regiões vinícolas de Portugal, com uma longa história marcada pelo trabalho humano, pela riqueza natural e pela criação do célebre Vinho do Porto. Neste território moldado em socalcos ao longo do rio Douro, a atividade vitivinícola transformou não só a paisagem como também a vida das suas gentes. Este texto organiza os principais momentos históricos da região em quatro capítulos fundamentais.

Vale do Douro

1. As Gentes e a Origem da Região Vinícola

A ocupação do Douro remonta ao 3.º milénio a.C., quando comunidades neolíticas começaram a abrir clareiras nas encostas do rio. O cultivo das vinhas ganhou importância durante a presença romana (séculos I a.C. a I d.C.), período em que foram instalados os primeiros socalcos em terrenos inclinados. Entre os séculos XII e XIV, ordens religiosas aperfeiçoaram técnicas agrícolas e alargaram os vinhedos, reforçando os muros de contenção, marcando o início da verdadeira estrutura agrícola da região.

Ao longo dos séculos, o esforço dos habitantes do Douro, com o apoio de trabalhadores vindos de outras zonas de Portugal e de Espanha, permitiu a modelação das encostas em socalcos, criando uma paisagem única, de grande beleza, marcada pelas variações cromáticas das vinhas ao longo das estações do ano.

2. O Comércio do Vinho do Porto, no Século XVII

O comércio internacional do vinho duriense teve início por volta de 1650, quando comerciantes ingleses começaram a transportar pequenas quantidades para Inglaterra. No século XVIII, a necessidade de preservar o vinho durante a longa travessia marítima levou à adição de aguardente vínica, o que interrompia a fermentação e estabilizava o produto. Nascia assim o famoso Vinho do Porto, também chamado localmente “vinho tratado” ou “vinho fino”.

O sucesso deste vinho impulsionou o desenvolvimento da viticultura duriense, elevando muros de xisto, alargando socalcos e intensificando o cultivo nas encostas do vale.

3. A Demarcação Oficial: Marquês de Pombal e a Organização do Setor

Perante abusos por parte de produtores que adulteravam o vinho com uvas de má qualidade de outras regiões, o Marquês de Pombal, Secretário de Estado do Reino de D. José I, instituiu em 1756 a demarcação oficial da Região do Alto Douro, criando a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro. Esta foi a primeira denominação de origem controlada do mundo, regulando a produção, o comércio e a qualidade do vinho.

A navegação no Douro tornou-se mais intensa com os barcos rabelos, capazes de vencer os rápidos do rio e transportar as pipas de vinho até Vila Nova de Gaia. A abertura da passagem da Valeira, em 1791, permitiu o acesso ao Douro Superior e incentivou a plantação de novas quintas. Posteriormente, o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto e novas regulamentações reforçaram a qualidade e o prestígio da região, preparando-a para os desafios futuros.

4. As Crises no Douro: Ganância e Pragas

Ao longo da sua história, o Douro enfrentou momentos críticos. Um dos mais marcantes ocorreu na segunda metade do século XIX com a chegada da filoxera, uma praga originária da América do Norte. Este pequeno inseto atacava as raízes das videiras, levando à morte quase toda a produção duriense. As paisagens outrora exuberantes tornaram-se áridas, as videiras secaram e os agricultores viveram momentos de desespero.

A crise teve impactos profundos não apenas na produção, mas também na economia e na vida social da região. O abandono da terra, o empobrecimento e a desolação marcaram estes anos difíceis. No entanto, a solução viria do mesmo continente que trouxe a praga: verificou-se que algumas variedades de videiras americanas eram resistentes à filoxera. A técnica da enxertia – ainda usada hoje – permitiu a recuperação da região, ao enxertar a videira europeia de qualidade num porta-enxerto resistente.

Este processo foi essencial para restaurar a produção vitivinícola do Douro, permitindo que as vinhas voltassem a crescer, adaptadas e protegidas da praga. A área de cultivo expandiu-se, ultrapassando os limites tradicionais da Régua e chegando até à fronteira espanhola.

Vídeo no YouTube »» Vinho Do Porto | Um Brinde Ao Douro

A Região Demarcada

Atualmente, a região demarcada do Alto Douro é dividida em três subzonas:
 
Baixo Corgo – de Barqueiros até à foz do rio Corgo;
Cima Corgo – entre o rio Corgo e o lugar do Cachão da Valeira;
Douro Superior – do Cachão da Valeira até à fronteira com Espanha.

O vinho continua a ser a principal força económica da região, que hoje alia tradição e inovação. A paisagem do Douro é Património Mundial da UNESCO e símbolo do engenho humano em harmonia com a natureza, com os seus socalcos escavados à mão e o rio a servir de via de escoamento de um produto que continua a encantar o mundo.

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